TRAVESSEIRO SUSPENSO POR FIOS DE NYLON

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

SEBASTIÃO SALGADO - fotógrafo brasileiro - OLHARES

SEBASTIÃO SALGADO. 

Conheço parcialmente sua Obra, não o conheço pessoalmente, mas como cidadã brasileira quero dizer: OBRIGADA POR SEU LINDO TRABALHO DE ARTE, CULTURA, DENÚNCIA, REALISMO e INCONFORMISMO! VOCÊ NOS ORGULHA! Está postagem é uma simples homenagem ao homem e fotógrafo que é.






Sebastião Salgado presenteia o presidente Lula com seu novo livro em 31 de outubro de 2006.
Sebastião Salgado no Fórum Social Mundial, em 2002. Marcello Casal Jr/ABr
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O fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado é um dos repórteres fotográficos contemporâneos mais respeitados no mundo. Salgado, que foi nomeado Representante Especial da Unicef em 3 de Abril de 2001, dedicou-se a fotografar as vidas dos deserdados do mundo. Esse trabalho está documentado em 10 livros e muitas exposições que lhe valeram a maioria dos premios de fotografia em todo o mundo. "Desejo que cada pessoa que entra numa das minhas exposições seja, ao sair, uma pessoa diferente.", comenta Sebastião Salgado. "Creio que toda a gente pode ajudar, não necessariamente dando bens materiais, mas também tomando parte do debate e preocupando-se pelo que sucede no mundo." 

Natural de Aimorés, Minas Gerais, onde nasceu em 1944, Sebastião Salgado é o sexto e o único filho homem de uma família com oito filhos. Estudou economia no Brasil entre 1964 e 67. Fez mestrado na mesma área na Universidade de São Paulo e na Vanderbilt University (EUA). Após completar os seus estudos para o doutoramento em economia pela Universidade de Paris, em 1971, trabalhou para a Organização Internacional do Café até 1973. 

Depois de pedir emprestada a câmera da sua mulher, Lélia, para uma viagem a África, Salgado decidiu, em 1973, trocar a economia pela fotografia. Trabalhou para as agências Sygma (1974-1975) e Gamma (1975-1979). Eleito membro da Magnum Photos, uma cooperativa internacional de fotógrafos, permaneceu na organização de 1979 a 1994. 

De Paris, onde vivia, Salgado viajou para cobrir acontecimentos como as guerras na Angola e no Saara espanhol, o sequestro de israelitas em Entebbe e o atentado contra o presidente norte-americano Ronald Reagan.

 Paralelamente, passou a dedicar-se a projetos de documentários mais elaborados e pessoais. Viajando pela América Latina durante sete anos (1977-1984), Salgado foi a pé a povoados remotos. Neles capturou as imagens para o livro e a exposição Outras Américas (1986), um estudo das diferentes culturas da população rural e da resistência cultural dos índios e de seus descendentes no México e no Brasil. Nos anos 80, trabalhou 15 meses com o grupo francês Médicos Sem Fronteiras durante a seca na região do Sahel, na África. Na viagem produziu Sahel: O Homem em Pânico (1986), um documento sobre a dignidade e a perseverança de pessoas nas mais extremas condições. Entre 1986 e 1992, fez Trabalhadores (1993), um documentário fotográfico sobre o fim do trabalho manual em grande escala em 26 países. Em seguida, produziu Terra: Luta dos Sem-Terra (1997), sobre a luta pela terra no Brasil, e Êxodos e Crianças (2000), retratando a vida de retirantes, refugiados e migrantes de 41 países.


Fotógrafo reconhecido internacionalmente e adepto da tradição da "fotografia engajada", Sebastião Salgado recebeu praticamente todos os principais premios de fotografia do mundo como reconhecimento por seu trabalho. Em 1994 fundou sua própria agência de notícias, a Imagens da Amazónia, que representa o fotógrafo e seu trabalho. Salgado mora atualmente em Paris com sua esposa e colaboradora, Lélia Wanick Salgado, autora do projecto gráfico da maioria de seus livros. O casal tem dois filhos. 

Em 1981, Sebastião Salgado "estoura" no cenário mundial ao ser o único fotógrafo a documentar a tentativa de assassinato do então presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan, o que lhe dá grande destaque internacional
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Brasileiro, radicado na França, Salgado é reconhecido mundialmente como um dos mestres da fotografia documental contemporânea. Nos anos 80 e 90 publica grandes foto reportagens de denúncia social, em livros como Sahel: l'Homme en Détresse (1986), Trabalhadores (1993) e Terra (1997).
Quatro anos depois de ter sido publicado no exterior, o livro Trabalhadores, começa a ser vendido no Brasil, na segunda semana de março de 1997.

A obra, que levou sete anos para ser realizada, reúne 350 fotos de trabalhadores de várias partes do mundo em 400 páginas.


Um mês depois, do mesmo ano, foi promovido no Espaço Unibanco de Cinema, em São Paulo, o lançamento mundial do livro Terra, com 109 fotos de trabalhadores rurais de várias partes do Brasil.

Além das fotos de Sebastião Salgado, o livro tem prefácio do escritor português José Saramago e um CD com músicas inéditas do compositor Chico Buarque.

Os direitos autorais da edição brasileira foram doados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra.

OBRAS   DO   FOTÓGRAFO





O  PODER  DA  IMAGEM

Conheça Sebastião Salgado e a arte da fotografia*

“Nos seis ou sete anos em que fotografei os trabalhadores, percebi que estamos passando por uma transformação total dos meios de produção. Com o fim da primeira revolução industrial, a chegada de novas tecnologias -- das máquinas inteligentes -- às linhas de montagem e a nova organização dos fatores de produção, vi que o ser humano e sua vida sedentária tradicional também estão passando por transformações.” (Sebastião Salgado)

De acordo com o dicionário Houaiss, Fotografia é a arte ou processo de reproduzir imagens sobre uma superfície fotossensível (como um filme), pela ação de energia radiante, especialmente a luz. Trata-se, portanto, de uma técnica que é, ao mesmo tempo, uma arte. E por que esse pormenor é importante?
Porque usualmente pensamos na fotografia como sendo apenas a composição técnica criada pela humanidade para registrar e reproduzir imagens estáticas e permitir que esses enquadramentos se tornem referências, lembranças, notícias, documentos ou ainda arquivos que retratem nossa existência.
Ao elevar o fotógrafo a condição de artista, estamos entendendo que em seu trabalho há também altas doses de criatividade, inteligência, planejamento e conhecimento (do equipamento, das variáveis que podem influenciar na qualidade de suas fotos, das técnicas já existentes para a obtenção de suas imagens,...) que tornam sua produção digna de merecer espaço em exposições, livros e museus.
É também necessário esclarecer que nem todas as fotografias que são tiradas atingem o status de obra de arte. Ao tirarmos nossas fotos domésticas, de viagens, de festas, do trabalho ou de qualquer situação cotidiana podemos até, eventualmente, criar uma chapa que mereça essa distinção. O mais comum é que nossos enquadramentos sejam tão usuais e básicos que não mereçam essa consideração...
A concepção artística da fotografia é revelada a partir da capacidade que o profissional tem de criar temáticas, explorar variáveis, adotar diferentes técnicas (muitas vezes mesclando-as), utilizar as cores e as luzes da natureza, ser capaz de conceber em estúdio releituras e novidades que diversifiquem sua obra,...

Eu acredito que o estilo de vida dos países mais ricos é o estilo de vida certo para todos. Todo mundo tem direito à saúde, educação, previdência social, além do direito e necessidade à cidadania. Acredito que todos os seres humanos neste planeta têm direito às mesmas coisas. (Sebastião Salgado)

Apesar de ser reconhecida como arte no mundo todo, no Brasil a fotografia ainda se restringe enquanto produção cultural refinada e distinta aos círculos intelectualizados das nossas maiores metrópoles ou de cidades do interior de caráter mais progressista. Essas barreiras estão sendo vencidas aos poucos. A compreensão e o estímulo à produção de novos trabalhos têm acontecido e atingido os quatro cantos do país.

Uma das comprovações da pouca expressão do trabalho fotográfico de alto nível em nossa pátria pode ser percebida pelo pouco conhecimento por parte do grande público quanto aos mais expressivos expoentes dessa arte no Brasil. É, por exemplo, inconcebível que a produção de Sebastião Salgado não seja referencial em nossa cultura.

Sebastião Salgado é artista fotográfico renomado internacionalmente e, com certeza, apesar do prestígio que tem em nosso país, é mais reconhecido e respeitado fora do Brasil. Não apenas merece essa valorização pelas técnicas que utiliza em suas produções, que já fazem suas fotografias diferenciadas e merecedoras do status de arte, mas principalmente pelo fato de ter transformado seu trabalho em importante elemento de reflexão sobre os rumos da vida no seu próprio país e no mundo.

Seu trabalho compõe um quadro crítico, que procura provocar o público, dar-lhe matéria-prima para pensar e repensar questões sociais. Não lhe bastava imaginar que sua arte poderia ilustrar (no sentido de ensinar, dar argumento, proporcionar conhecimentos), modernizar concepções ou sensibilizar as pessoas que entrassem em contato com suas fotografias.

Salgado trabalha para que suas obras causem verdadeira comoção entre o público. Para ele a arte tem que levar a engajamentos e lutas. Fotografias podem e devem ajudar a mudar o mundo para melhor. Busca-se com as fotos apresentar denúncias e motivar reações por parte das pessoas, da sociedade civil e, até mesmo, dos próprios governos...

O componente político de sua produção fotográfica torna Sebastião Salgado não apenas diferenciado, mas principalmente polêmico, instigante, provocativo e, acima de tudo, artístico e visceral. Há muita inteligência em sua obra e num país carente de cultura de alto nível como o nosso, sua fotografia é um alento, um oásis em meio a imensas dunas de areia...

Nesse sentido é de fundamental importância que entremos em contato com sua produção. Para facilitar o encontro com Sebastião Salgado foi criado um site em que algumas de suas obras nos são apresentadas. Para se encontrar com esse artista das lentes e o poder de suas imagens conheça seu endereço na Internet, disponibilizado pelo portal Terra, no linkhttp://www.terra.com.br/sebastiaosalgado.


Minha maior esperança é provocar um debate sobre a condição humana do ponto de vista dos povos em êxodo de todo o mundo. Minhas fotografias são um vetor entre o que acontece no mundo e as pessoas que não têm como presenciar o que acontece. Espero que a pessoa que entrar numa exposição minha não saia a mesma.” (Sebastião Salgado)

O Site

Somente as imagens bastariam para falar por Sebastião Salgado. Suas fotografias nos falam ao coração, despertam os sentidos e nos permitem tantas reflexões que apenas a disponibilização desses trabalhos já constituiria uma considerável contribuição à cultura nacional a partir da Internet.
O melhor de tudo é que o site de Salgado vai muito além e nos enriquece com algumas de suas declarações a partir de uma esclarecedora entrevista, na qual o fotógrafo fala de dois de seus mais expressivos, realistas e críticos trabalhos, as exposições Êxodos e O Mundo da Maioria.
Há também um programa educacional que apresenta um breve curso de fotografia on-line que tenta introduzir os internautas a alguns conceitos, idéias, temas e práticas dessa nobre arte a partir das experiências e vivências de Salgado. Se não bastasse isso o site ainda nos oferece algumas das imagens (que ilustram esse artigo) do fotógrafo para que as utilizemos como papel de parede.
Ainda são disponibilizados no site informações sobre o próprio Sebastião Salgado, algumas possibilidades de ajudar a melhorar o mundo (entrando em contato com diversas organizações humanitárias com as quais o fotógrafo possui vínculos), as propostas dos projetos apresentados no site e os novos trabalhos do artista.

"Espero que tanto como indivíduos, grupos ou uma sociedade, façamos uma pausa para pensar na condição humana na virada do milênio. Na sua forma mais brutal, o individualismo continua sendo uma fórmula para catástrofes. É preciso repensar a forma como coexistimos no mundo." (Sebastião Salgado)


Para Refletir

Tenho a constante impressão de que olhamos, olhamos e vemos muito pouco do que acontece ao nosso redor. Não percebemos o horizonte. Fechamos nossos olhos à natureza. Desprezamos o ser humano que está ao nosso lado. Temos dificuldade para perceber as transformações promovidas pelas pessoas
Ao reeducar nossos olhares acredito que sairemos das cavernas onde estamos inseridos. Atualmente repetimos com grande constância a Alegoria da Caverna do grande filósofo grego Platão. Nosso foco continua sendo o imediato, o aqui e agora e, em muitos casos, apenas aquilo que diz respeito à própria sobrevivência, realização ou sucesso.
O planeta Terra se deteriora ao nosso redor e não queremos saber disso. Pessoas morrem de fome ou vitimadas por epidemias e isso não nos toca nem um pouco. Guerras destroem a água, o ar e o solo e tudo parece muito distante para afetar a nossa própria sobrevivência. O cotidiano nos faz parecer com as ovelhas desenfreadas que Chaplin utilizou em seu célebre filme Tempos Modernos para ridicularizar o mundo contemporâneo e sua pressa.
Ao disparar seu obturador contra acontecimentos que deveriam sensibilizar naturalmente os seres humanos, Sebastião Salgado quer nos despertar desse sono interminável que poderá nos arruinar num futuro muito mais próximo do que imaginamos.
Se não aprendermos a viver de forma a dividir as atribuições, responsabilidades e os frutos de nosso trabalho, é muito provável que destruiremos o planeta e toda a vida que nele existe, inclusive a nossa. Seremos vítimas de nossa própria cegueira, surdez e mutismo.
Iniciativas como as de Salgado e a de outros artistas que devotam seu tempo às causas humanitárias e clamam por uma revisão de nossas vidas e da relação que estabelecemos com o mundo são fundamentais para que consigamos atingir um futuro de paz, harmonia, respeito, dignidade e amor. Só assim o ciclo da vida poderá persistir...
Nesse sentido é de fundamental importância que as pessoas conheçam o trabalho de Salgado e de outros artistas envolvidos com causas sociais e humanitárias. Por esse motivo convidamos todos a conhecer o mundo desse envolvente e importante fotógrafo e todo o poder de suas imagens visitando o site que a ele é dedicado no linkwww.terra.com.br/sebastiaosalgado.

*João Luís de Almeida Machado Doutor em Educação pela PUC-SP; Mestre em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (SP); Professor Universitário e Pesquisador; Autor do livro "Na Sala de Aula com a Sétima Arte – Aprendendo com o Cinema" (Editora Intersubjetiva).

























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Movimento dos Sem-Terra  - Brasil









OUTRAS ...


















































































"A HUMANIDADE É DESUMANA"
Legião Urbana


Sebastião relata que por conta de passar muitos anos fotografando e convivendo com tanta desumanidade e morte, ele também começou a adoecer, morrer... sua alma começou a morrer. Deu um tempo e voltou com o projeto GÊNESIS, voltou a sua terra natal. Continua sempre o grande fotógrafo humano por demais... Que falta seus registros vão fazer para este momento da história da humanidade; você não estar neste ano de 2015, registrando as maiores ondas de refugiados fugindo, lutando pela vida, embora numa luta inglória onde tantos estejam morrendo pelo caminho... Reconhecemos todos que merece ter vida para novos trabalhos e novos trabalhos como os ligados a recuperação das florestas merecem você. Mas seu olhar de generosidade, de compaixão nesse exato momento histórico nos faz muita falta. 





É casado com Lélia Deluiz Wanick Salgado, que é também autora do projeto gráfico da maioria de seus livros.
Juntos fundaram o Instituto Terra, uma associação civil, sem fins lucrativos, localizada na Fazenda Bulcão, Aimorés – MG, com uma área de 676 ha, reconhecida como Reserva Particular de Patrimônio Natural (RPPN) pela Portaria IEF/MG Nº 081, promulgada em 07 de outubro de 1998. É a primeira RPPN criada em uma área degradada.
Em menos de 10 anos, através do Instituo Terra, o casal já plantou um milhão de mudas de árvores.  Sebastião Salgado e Lélia Wanick estão literalmente plantando o futuro.
Para ler a biografia completa de Sebastião Salgado acesse www.terra.com.br/sebastiaosalgado


Para conhecer o Instituo Terra acesse www.institutoterra.org

(O DRAMA SILENCIOSO DA FOTOGRAFIA)




 DA MINHA TERRA À TERRA  -  
Editora: Companhia das Letras



"Para alguns, sou fotojornalista. Não é verdade. Para outros, sou um militante. Tampouco. A única verdade é que a fotografia é minha vida. Todas as minhas fotos correspondem a momentos intensamente vividos por mim. Todas existem porque a vida, a minha vida, me levou até elas", diz Sebastião Salgado em Da Minha Terra à Terra, livro que autografa hoje às 12h30, na Livraria Saraiva do Shopping Pátio Higienópolis. Mais tarde, às 19h30, Salgado conversa com Drauzio Varella no Teatro Eva Herz , na Livraria Cultura do Conjunto Nacional.
 É chance rara de ouvir o fotógrafo relatar passagem memoráveis de sua vida e contar mais sobre o livro em que relata muitas destas passagens.
 Na obra, escrita pela amiga Isabelle Francq, que fez cinco grandes entrevistas com o fotógrafo, Salgado, que já lançou diversos livros e teve sua obra exposta em diversos países, abre um novo capítulo, o de sua história.
 Com relatos em tom de conversa entre amigos, há espaço para falar de sua terra natal, a fazenda no Vale do Rio Doce, da qual tem "lembranças maravilhosas de menino", as raízes políticas, éticas e existenciais de seu engajamento fotográfico. "Minha fotografia não é nada objetiva. Como todos os fotógrafos, fotografo em função de mim mesmo, daquilo que me passa pela cabeça, daquilo que estou vivendo e pensando", diz ele no capítulo 'A fotografia, meu modo de vida'.
Em Da Minha Terra à Terra é possível acompanhar os bastidores de grandes trabalhos de Salgado, como, por exemplo o Projeto Gênesis, que originou o cultuado livro homônimo e que se tornou uma festejada exposição que já rodou diversos países. Entre eles, França, Espanha, Inglaterra, Itália, Suíça, Canadá, Estados Unidos e Brasil. Aliás, é para a abertura de Gênesis em Porto Alegre que o fotógrafo também está no País.
 Gênesis é fruto da jornada que conduziu Salgado a rincões intocados do planeta, onde o homem convive em harmonia com a natureza. É também com Gênesis que Da Minha Terra à Terra começa.
 Em um relato que mistura fascínio e humildade, o fotógrafo narra como, em Galápagos, passou um dia inteiro aprendendo a entender o ponto de uma tartaruga gigante. "Quando fotografo seres humanos nunca chego de surpresa ou incógnito a um grupo, sempre me apresento. Depois me dirijo às pessoas, explico, converso e, aos poucos nos conhecemos", conta ele, ao relatar que também aprendeu a conhecer e fotografar os animais com Gênesis.
 São passagens como esta que fazem de Da Minha Terra à Terra um livro pessoal e ao mesmo tempo documental. Salgado, em breve, também poderá ser visto no cinema. Além de Revelando Sebastião Salgado, da brasileira Betse de Paula, em outubro será lançado um documentário que o alemão Wim Wenders dirigiu sobre o fotógrafo.



Oscar 2015: documentário sobre o fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado é indicado ao prêmio 


La sal de la tierra - Trailer






 registrando em milhares de fotos a condição humana e também a beleza e degradação do planeta 


Radicado na França, Salgado já percorreu mais de 100 países registrando em milhares de fotos a condição humana e também a beleza e degradação do planeta.
Economista por formação, o mineiro Sebastião Salgado já trabalhou nas principais agências de fotofrafias da Europa, como as agências Sygma, Gamma e Magnum Photos. Suas imagens, sempre em preto e branco, estão no caminho entre o jornalismo e a arte.
A preocupação com o meio ambiente, revelada nas obras do premiado fotógrafo abriu espaço para a criação do Instituto Terra, que tem como objetivo a preservação da floresta e o desenvolvimento sustentável. Junto com a esposa, Salgado já recuperou uma extensa área da Mata Atlântica no Vale do Rio Doce, em Minas Gerais, com a plantação de um milhão e meio de árvores.
Na entrevista Sebastião Salgado fala das suas experiências pelo mundo e sobre o seu mais recente trabalho: a mostra Genesis, que também virou livro. O projeto levou oito anos para ser concluído com mais de 30 viagens pelo mundo, aos lugares mais remotos e intocados do planeta.
Entre outros trabalhos fotográficos que resultaram em publicações estão Trabalhadores (1996), Terra (1997), Serra Pelada (1999), Outras Américas (1999), Retrato de Crianças do Êxodo (2000), Êxodos (2000), O Fim do Pólio (2003), Um incerto Estado de Graça (2004) e O Berço da Desigualdade (2005).
genesis_Sebastiao_salgado




Vale a pena conhecer um pouco mais deste fotógrafo magistral: programa de entrevistas da TV Brasil chamado Espaço Público, exibido em 02/09/2014, no qual o fotógrafo brasileiro e conhecido mundialmente, Sebastião Salgado, fala de seu trabalho e do que lhe move: a condição humana e sua imensa fragilidade no planeta terra.

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Sebastião Salgado - o olhar sensível


Sebastião Salgado (...)
“Somos todos um povo. Provavelmente um só homem.”
- Sebastião Salgado


"Para alguns, sou fotojornalista. Não é verdade. Para outros, sou um militante. Tampouco. A única verdade é que a fotografia é minha vida. Todas as minhas fotos correspondem a momentos intensamente vividos por mim. Todas existem porque a vida, a minha vida, me levou até elas"
- Sebastião Salgado, em "Da Minha Terra à Terra", de Isabelle Francq. São Paulo: Paralela, 2014.


"Não trabalho com a miséria, mas com as pessoas mais pobres. Elas são muito ricas em dignidade e buscam, de forma criativa, uma vida melhor. Quero com isso provocar um debate. A nossa sociedade é muito mentirosa. Ela prega como sendo única a verdade de um pequeno grupo que detém o poder."
- Sebastião Salgado


Em suas fotos estão presentes o limite, o conflito, o mundo da humilhação, da opressão, mas também da esperança, da solidariedade e da capacidade humana de resistir. Seu foco intervém para provocar o debate e construir a solidariedade aos trabalhadores, porque encontrou na resistência destes uma forma de quebrar a lógica do mercado e de resistir ao que Salgado chama de "extinção da espécie".

Fotografando sempre em preto e branco, o seu trabalho é carregado de imagens fortes e muitas vezes muito tristes, mas carregam uma beleza e singularidade ímpar.

Sebastião Salgado (...)
O fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado é um dos repórteres fotográficos contemporâneos mais respeitados no mundo. Salgado, que foi nomeado Representante Especial da Unicef em 3 de Abril de 2001, dedicou-se a fotografar as vidas dos deserdados do mundo. Esse trabalho está documentado em 10 livros e muitas exposições que lhe valeram a maioria dos prêmios de fotografia em todo o mundo.


"Desejo que cada pessoa que entra numa das minhas exposições seja, ao sair, uma pessoa diferente."
- Sebastião Salgado




Sebastião Salgado


Sebastião Salgado, natural de Aimorés, Minas Gerais, onde nasceu em 1944, é o sexto e o único filho homem de uma família com oito filhos. Estudou economia no Brasil entre 1964 e 67. Fez mestrado na mesma área na Universidade de São Paulo e na Vanderbilt University (EUA). Após completar os seus estudos para o doutoramento em economia pela Universidade de Paris, em 1971, trabalhou para a Organização Internacional do Café até 1973. Depois de pedir emprestada a câmera da sua mulher, Lélia, para uma viagem a África, Salgado decidiu, em 1973, trocar a economia pela fotografia. Trabalhou para as agências Sygma (1974-1975) e Gamma (1975-1979). Eleito membro da Magnum Photos, uma cooperativa internacional de fotógrafos, permaneceu na organização de 1979 a 1994. 
De Paris, onde vive, Salgado viajou para cobrir acontecimentos como as guerras na Angola e no Saara espanhol, o seqüestro de israelitas em Entebbe e o atentado contra o presidente norte-americano Ronald Reagan. Paralelamente, passou a dedicar-se a projetos de documentários mais elaborados e pessoais. Viajando pela América Latina durante sete anos (1977-1984), Salgado foi a pé a povoados remotos. Neles capturou as imagens para o livro e a exposição Outras Américas (1986), um estudo das diferentes culturas da população rural e da resistência cultural dos índios e de seus descendentes no México e no Brasil. Nos anos 80, trabalhou 15 meses com o grupo francês Médicos Sem Fronteiras durante a seca na região do Sahel, na África. Na viagem produziu Sahel: O Homem em Pânico (1986), um documento sobre a dignidade e a perseverança de pessoas nas mais extremas condições. Entre 1986 e 1992, fez Trabalhadores (1993), um documentário fotográfico sobre o fim do trabalho manual em grande escala em 26 países. Em seguida, produziu Terra: Luta dos Sem-Terra (1997), sobre a luta pela terra no Brasil, e Êxodos e Crianças (2000), retratando a vida de retirantes, refugiados e migrantes de 41 países.

Sebastião Salgado, Betinho e José Saramago. 1997.
"Na realidade, acho que sempre fiz a mesma coisa desde que saí do interior, que fui estudar economia, que trabalhei como economista. Como entrei na fotografia, foi mais ou menos a mesma coisa. Eu troquei um instrumento pelo outro, troquei a máquina de cálculo pela máquina fotográfica, mas o discurso continuou mais ou menos o mesmo."
- Sebastião Salgado



Fotógrafo reconhecido internacionalmente e adepto da tradição da "fotografia engajada", Sebastião Salgado recebeu praticamente todos os principais prêmios de fotografia do mundo como reconhecimento por seu trabalho. Em 1994 fundou sua própria agência de notícias, a Imagens da Amazônia, que representa o fotógrafo e seu trabalho. Salgado mora atualmente em Paris com sua esposa e colaboradora, Lélia Wanick Salgado, autora do projeto gráfico da maioria de seus livros.

Em 2004, Sebastião começa um novo projeto, Gênesis, série de fotografias de paisagens, da fauna, da flora e de comunidades humanas vivendo exclusivamente dentro de suas tradições e culturas ancestrais. Este trabalho é concebido como uma pesquisa sobre a natureza ainda em seu estado original.

Sebastião Salgado (...)

"Minhas fotografias são um vetor entre o que acontece no mundo e as pessoas que não têm como presenciar o que acontece. Espero que a pessoa que entrar numa exposição minha não saia a mesma."
 - Sebastião Salgado


"Esse é um projeto que pretende nos reconectar ao que o mundo era antes da humanidade tê-lo alterado ao ponto de não ser mais reconhecido."
- Sebastião Salgado

Sebastião e Lélia.
Juntos, Sebastião e Lélia trabalham desde os anos 90 na recuperação do meio-ambiente de uma pequena parte da Mata Atlântica. Eles devolveram à natureza uma parcela de terra que possuíam e em 1998 esta terra foi transformada numa Reserva Particular do Patrimônio Natural - RPPN. Neste mesmo ano, criaram o Instituto Terra que tem como missão a restauração da floresta, pesquisa e monitoramento, educação ambiental e desenvolvimento sustentável.

“Quis provocar um debate sobre o estado do planeta. Esta globalização de que tanto se fala não são apenas cifras. Também são pessoas que estão sendo globalizadas. Deixaram-me fotografá-las, tenho a responsabilidade de mostrar estas imagens da maneira mais ampla possível. É uma exposição global.”
- Sebastião Salgado


Outras Américas

“uma exploração meditativa das culturas camponesas e da resistência cultural.
- Sebastião Salgado

Equador, 1982.
Outras Américas, é um registro dos povos indígenas da América Latina, é o resultado de um trabalho que foi iniciado em 1977 e exigiu sete anos para ser concluído. Para realizá-lo, Sebastião Salgado percorreu desde o litoral do Nordeste brasileiro às montanhas do Chile e daí à Bolívia, ao Peru, ao Equador, à Guatemala, ao México.

México, 1980.
"Muito simplesmente, é o mundo dos destituídos, daqueles que os desertos e serras desoladas da América Latina observam enquanto seus países mudam, deixando-os de lado". ... "que se mantém unido pelo nascimento, pela família e pela morte, e ainda pelo mito, pela fé e pelo fatalismo."
- Alan Riding, jornalista.

Brasil
"Estas Américas Latinas tão misteriosas e sofridas, tão heroicas e nobres."
- Sebastião Salgado


África
"A África sempre foi um enigma."
- Sebastião Salgado



''A África não é um continente subdesenvolvido, tem o desenvolvimento que tem. Está buscando sua identidade. Os pobres não necessitam piedade ou caridade, mas compressão e assistência."
- Sebastião Salgado



Terra


“A humanidade andou buscando, durante muito tempo, uma linguagem universal. Falou-se do latim, no início; depois, do inglês; houve um momento em que se tentou criar uma língua – o esperanto –, mas a linguagem universal foi criada. É a linguagem da imagem. E a fotografia é seu vetor principal. Quando se escreve nesta linguagem sobre os sem-terra, aqui no Brasil, ela pode ser lida sem tradução no Japão, na França, nos EUA. Todo mundo compreende.”
- Sebastião Salgado

José Saramago, Chico Buarque e Sebastião Salgado no Jô (1/5).

José Saramago, Chico Buarque e Sebastião Salgado no Jô (2/5).
Vejam as 5 partes dessa entrevista,1997. Vale!


“A minha grande esperança é que a gente vá em direção a um modelo de agricultura familiar. Milhões de pessoas participando do sistema produtivo, recebendo renda desse sistema, sendo integradas como cidadãos no sistema de mercado e que passem a consumir educação, saúde, cultura e bens de consumo.”
- Sebastião Salgado


Música de Chico Buarque para o Livro Terra.

Levantados do Chão, de Chico Buarque e Milton Nascimento

Assentamento, de Chico Buarque

"Os retratos de Salgado oferecem um retrato múltiplo da dor humana. Ao mesmo tempo, convidam-nos a celebrar a dignidade humana. São de uma franqueza brutal essas imagens de fome e de pena, e, no entanto, têm respeito e pudor. Nada a ver com o turismo da miséria..."
- Eduardo Galeano

Menina em Escola de Acampamento do MST.
Êxodos
“Mais do que nunca, sinto que a raça humana é somente uma. Há diferenças de cores, línguas, culturas e oportunidades, mas os sentimentos e reações das pessoas são semelhantes. Pessoas fogem das guerras para escapar da morte, migram para melhorar sua sorte, constroem novas vidas em terras estrangeiras, adaptam-se a situações extremas…”
- Sebastião Salgado

Ruínas da outrora prestigiosa avenida Jade Maiwan. Cabul, Afeganistão. 1996.

Êxodos, de Sebastião Salgado, documenta a história da humanidade em trânsito, nas estradas, nos campos de refugiados ou ainda nas favelas urbanas. Durante seis anos, em quarenta países, fotografias dos migrantes ou exilados, fugindo da pobreza, da repressão ou das guerras.

A estação Church Gate. Bombaim, Índia. 1995.

"Algumas pessoas sabem para aonde estão indo, confiantes de que as espera uma vida melhor. Outras estão simplesmente em fuga, aliviadas por estarem vivas."
- Sebastião Salgado

Os garotos do Sudâo, para escapar ao recrutamento, fogem para o Quênia. Sudâo. 1993.

Salgado conta que muitos dos refugiados estavam assustados, mal alojados e humilhados e mesmo assim, aceitavam ser fotografados porque, acredita, queriam que seu sofrimento fosse divulgado.

Comunidades indigenas. Polho. Chiapas, México. 1998.

"Sempre que possível, eu lhes explicava que minha intenção era essa. Muitos não faziam mais do que postar-se diante de minha câmera e dirigir-se a ela como se fosse um microfone."
- Sebastião Salgado


O seu modo de ver:
"Desde sempre, os homens migraram - mas hoje se trata de um fenômeno diferente: A globalização nos é apresentada como uma realidade, não como uma solução."
- Sebastião Salgado

Brighton Beach, conhecida como « Nova Odessa », Brooklyn, Nova York, EUA. 1994.

“Acredito que uma pessoa comum pode ajudar muito, não apenas doando bens materiais, mas participando, sendo parte das trocas de idéias, estando realmente preocupada sobre o que está acontecendo no mundo.” 
- Sebastião Salgado


Gênesis

Este projeto é sobre o tema do nosso planeta, a natureza e a imensa beleza que ainda existe, ao lado das inúmeras destruições causadas pelas atividades humanas. Trata-se de tentar fazer um retrato, da beleza e a grandeza dos lugares ainda prístinos, as paisagens, a vida animal e as comunidades humanas que ainda continuam a viver segundo as antigas culturas e tradições. Trata-se de ver, de se maravilhar e de compreender a necessidade de preservar, enfim, inspirar ações no caminho da preservação. Este trabalho começou em 2004 e será concluído em 2012.

Uma presença humana que não rompeu as relações “primordiais” com a natureza e que participa da sua grandiosidade sem a destruir, explicou Salgado na conferência da UNESCO em Paris. “Gênesis”, como explicou, é um resultado direto da sua experiência com o Instituto Terra, um projeto ambientalista que o fotógrafo fundou com a mulher, Lélia Wanick Salgado, no Vale do Rio Doce, no sudoeste do Brasil.

Galápagos - Equador. 2004.

"...Galápagos, hoje um patrimônio da humanidade, fica muito mais fácil compreender Darwin. Porque é possível conferir, visualmente, como uma determinada espécie se desenvolve de maneira diferente de uma ilha para outra. Em Galápagos você tem um microcosmos que retrata o universo. Acabei ficando por lá mais tempo do que o próprio Darwin. Ele passou 47 dias lá, eu passei 90. Tive autorização da Fundação Charles Darwin e do Parque Nacional de Galápagos para visitar todas as ilhas do arquipélago."
- Sebastião Salgado, na Entrevista ao Estadão, em 12 set. 2009.


Bushmen - Botsuana . 2008.

"... os chamados bushmen, de Botswana e da Namíbia, que vivem como há 50 mil anos. São coletores-caçadores."
- Sebastião Salgado

Butão. 2006.

Namibia. 2005.

Os Dinkas - Sul do Sudão. 2006.

Os Mentawai-Indonésia. 2008.

"Os mentawai, que vivem na ilha de Sumatra, na Indonésia, ainda mantêm uma relação tão forte com a natureza a ponto de fazê-la "deus". É preciso pedir permissões à natureza o tempo todo."
- Sebastião Salgado, na Entrevista ao Estadão, em 12 set. 2009.

Papua Nova Guiné. 2008.

Vale do Omo - Etiópia. 2007.

Patagônia Chile - Argentina. 2007.
“Por que continuamos a dizer que cem milhões de dólares é muito dinheiro para recuperar uma floresta primária quando ninguém acha que esse dinheiro é muito quando se gasta num único avião de guerra?”
- Sebastião Salgado, em Conferência na UNESCO Paris, 2009.


O fotógrafo e a máquina fotográfica

Sebastião Salgado (...)
“... Não faço ninguém posar, nunca fiz, não me interessa. Só tenho um modo de trabalhar - com a minha história, a minha ideologia. Quando alguém não quer te dar a imagem, você pede desculpas, faz as malas e vai embora. Não roubo imagens.”

Salgado é outro adepto da marca alemã, repetindo a predileção de Cartier-Bresson. Usa, normalmente, três câmeras Leica, cada uma com uma lente diferente: uma 28 mm, uma 35 mm e uma 60 mm. Além desse pequeno arsenal, costuma carregar uma lente zoom, raramente utilizada, com a qual se distancia do objeto para fazer 2% a 3% de suas fotos. Usa negativos P&B da Kodak, principalmente o Tri-X, com ISO 400.



Kamchata. 2006. (Gênesis)
''Muitas vezes perdi fotos únicas para ajudar alguém. Meu primeiro objetivo é manter o nível de dignidade que uma pessoa merece.''
- Sebastião Salgado



“A fotografia não é feita pelo fotógrafo. A foto sai melhor ou pior de acordo com a relação entre o fotógrafo e a pessoa que fotografa.”
- Sebastião Salgado

“Fotografo globalmente e quero expor globalmente. Todo o meu trabalho é sobre globalização e liberação econômica, uma amostra da atual condição humana neste planeta.”
- Sebastião Salgado






“Minhas fotografias são um vetor entre o que acontece no mundo e as pessoas que não têm como presenciar o que acontece. Espero que a pessoa que entrar numa exposição minha não saia a mesma.”
- Sebastião Salgado


A admiração por Lélia – a esposa e companheira de vida
Sebastião Salgado e Lélia, foto: Ricardo Beliel.

"A admiração que eu tenho por ela é a mesma do primeiro dia em que a conheci. Ela é o amor da minha vida. Tive muita sorte. Ela tem um lado humano maravilhoso. O carinho com o qual ela cuida da nossa família, do seu entorno, a preocupação social, comunitária, ecológica... Ela tem o mesmo corpo do dia do nosso casamento. É linda. Tem muita energia. É elegante. É socialmente justa. É solidária. Tem uma preocupação ecológica muito séria. Me emociona falar da Lélia."
- Sebastião Salgado

Lélia coordena a Amazonas Image, que criou em 1994 com o marido. Trata-se de uma agência fotográfica que cuida exclusivamente do trabalho de Sebastião. "Eu adoro a fotografia para contar histórias, pois a minha formação é mais artística. Já o Sebastião era economista", reflete.

É Lélia quem cuida, por exemplo, das exposições de fotos do marido em museus do mundo todo, além dos livros e cenografias. "Editei e desenhei muitas das publicações de fotografias de Salgado. E todos foram acompanhados de exposições organizadas por mim e apresentadas em museus do mundo inteiro", revela ela, que, no passado, já editou também centenas de pranchas de contato de Henri Cartier Bresson, sobre a Índia e a Grécia, para livros e exposições.


Henri Cartier Bresson e Sebastião Salgado
“Fotografar é colocar na mesma mira a cabeça, o olho e o coração.” 
- Henri Cartier Bresson.


O Filho - uma lição de vida e amor!

“Acho que muita coisa que faço hoje, próxima do social, de tanta organização humanitária, necessariamente foi o Rodrigo quem me trouxe. Ele me deu uma outra compreensão da vida, outra maneira de eu ver a humanidade, de me situar, de ver outras anomalias. A gente teve o direito a frequentar um outro universo que se eu tivesse ficado no mundo dos “normais” eu não teria conhecido. Foi muito rico para mim.”
- Sebastião Salgado, em "trecho da entrevista para a BBC Brasil".

Campanha de vacinação contra a pólio em Gof Gudod, região de Baidoa. Somália. 2001.

O Instituto Terra

Em abril de 1998, o casal fundou o Instituto Terra, que hoje está perto de concluir um projeto de recuperação de Mata Atlântica sem precedentes no Brasil em termos de área contínua. Os programas do Instituto tomaram tal magnitude que saltaram as cercas da Fazenda Bulcão, onde fica sua sede, e passaram a englobar, além de Minas, os estados de Espírito Santo, Bahia e Rio de Janeiro. Produtores rurais participam de cursos e programas para o desenvolvimento sustentável da região do Vale do Rio Doce.



Sebastião Salgado é o olhar que capta a alma dos deserdados da terra. E nos entrega, a partir desse olhar, a grandeza das pessoas na desgraça; a altivez diante do sofrimento.


Uma família saindo de uma mina de carvão. Dhanbad, Bihar, Índia. 1989.

"A verdade do fotógrafo é aquela fração de segundo. Se fizerem manipulação sobre isso, então não estaremos mais falando de fotografia."
- Sebastião Salgado, na Entrevista ao Estadão, em 12 set. 2009.


Sebastião Salgado - Trabalhos e pesquisa
1978
Sobre os problemas de habitação e condição de vida nas «4000 Habitações» em «La Courneuve», subúrbio de Paris. Trabalho feito à pedido do Conselho Local para efeito de uma grande exposição sobre o problema.
1979
Sobre os vários níveis da integração dos imigrantes na sociedade Européia. Trabalho efetuado principalmente na França, Holanda, Alemanha, Portugal e Itália.
1977/84
Pesquisa sobre as condições de vida dos camponeses e a resistência cultural dos índios e seus descendentes na América Latina. Trabalho realizado em nove países, do México ao Brasil.
1984/85
Sobre o efeito devastador da sêca na região do Sahel na Africa, trabalhando em conjunto com a organização humanitária «Médecins sans Frontières» (Médicos sem Fronteiras).
1986/92
Documentário sobre a modificação das relações de produção do trabalho manual nos principais setores econômicos, trabalho efetuado em 26 países de todos os continentes.
1994/99
Projeto realizado durante 6 anos, em 36 reportagens, sobre o movimento de populações no mundo.
2001
Sobre a erradicação global da poliomilite, campanha organizada pela UNICEF e OMS (Organização Mundial da Saúde).
2004
Inicio do projeto Genesis, série de fotografias de paisagens, de fauna, de flora e de comunidades humanas. Este trabalho é concebido commo uma busca da natureza no seu estado original.



Pescadores de mariscos. Ria de Vigo, Espanha. 1988.

"Não gosto de cortes, prefiro as fotos in natura, como foram feitas."
- Sebastião Salgado, em entrevista a Photosynthesis, realizada por Flávio Rodrigues.


Numa plantação de chá. Ruanda. 1991.
"A obra de Salgado não necessita de discursos. Ela, antes de tudo, fala por si mesma, é auto-suficiente, coesa, objetiva, bem lapidada, esteticamente perfeita. Dispensa, aliás, tais adjetivos."
- Enio Leite, professor da Focus Escola de Fotografia e Tecnologia Digital.

Dançando uma música tradicional chinesa. Xangai, china. 1998.

"Não sou um fotógrafo militante, embora me engaje profundamente naquilo que eu faço, quase como forma de vida. O que é muito diferente. Tenho minha ideologia, que pode ou não ser aceita, e fotografo tudo, da natureza ao carro da montadora, com a mesma doação pessoal."
- Sebastião Salgado, na Entrevista ao Estadão, em 12 set. 2009.


Cena perto da aldeia Marubo de Maronal.Amazonas, Brasil. 1998.



Zo’e, do Pará, Brasil.
“Não trabalho com a miséria, mas com as pessoas mais pobres. Elas são muito ricas em dignidade e buscam, de forma criativa, uma vida melhor. Quero com isso provocar um debate. A nossa sociedade é muito mentirosa. Ela prega como sendo única a verdade de um pequeno grupo que detém o poder.”
- Sebastião Salgado

Plantação de café. Etiópia. 2004.

Artigos e Entrevistas com Sebastião salgado
Sebastião Salgado busca imagens de um planeta perdido. Revista Carta Maior, Arte e Cultura, 9.2.2009.
- Sebastião Salgado: "A África sempre foi um enigma", com Fernando Eichenberg.


Plantação de café. Região de São João do Manhuaçu, Minas Gerais, Brasil. 2002.

“Para realizar uma fotografia preciso de tempo, de conviver com as pessoas. Chega o momento em que você já não incomoda ninguém. A fotografia muda de sentido e passa a ser parte da vida. É essa a riqueza. A câmara é um instrumento de relações humanas.”
- Sebastião Salgado


Vacinação contra a pólio no povoado de Irro-Jo Whandhio, distrito de Mithi. Paquistão. 2001.

Escola do campo de Natinga para sudaneses deslocados. Sul do Sudão. 1995.

“Eu acredito que o estilo de vida dos países mais ricos é o estilo de vida certo para todos. Todo mundo tem direito à saúde, educação, previdência social, além do direito e necessidade à cidadania. Acredito que todos os seres humanos neste planeta têm direito às mesmas coisas. E o mais interessante é que existem...”
- Sebastião Salgado


Jovem Marubo - Aldeia Maronal, Amazonas, Brasil. 1998.
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Como citar:
FENSKE, Elfi Kürten (pesquisa, seleção e organização). Sebastião Salgado - o olhar sensível. Templo Cultural Delfos, março/2011. Disponível no link. (acessado em .../.../...).
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Página atualizada em 14.3.2016.



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4 comentários:

  1. adorei esta postagem do fotografó de Minas Gerais Sebastião Salgado.

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    1. ... de Minas para o Mundo e com o Mundo! Grata por sua visita e comentário! Volte sempre!

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  2. Muito impactante e realista! Ótima postagem! Grande Sebastião Salgado, um exemplo a ser seguido.

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    1. Sim, muito impactante mesmo. De uma beleza, de uma humanidade profunda... grata pela visita.

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