TRAVESSEIRO SUSPENSO POR FIOS DE NYLON

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quarta-feira, 21 de novembro de 2012

... Eu apenas sinto



AMOR NA ERA DIGITAL: VOCÊ TEM GOSTO DE QUÊ?

(FERNANDA MELLO)


“Ah, não sei, não. O tempo do relógio não dá mais conta desse mundo. 

...Palavras navegam por terra, água e ar e aparecem em tempo real para diminuir a 

distância e a solidão. 


...Hum… O coração avisa: é o vazio. Mesmo com essa rápida conexão que liga o mundo, eu 

nunca senti as pessoas tão desconectadas. Não só de si mesmas. Mas dos outros. Parece 

que a carência avança na mesma rapidez que a tecnologia progride.


... Eu apenas sinto. E o que sinto é que o mundo anda carente. Carente do real. 


....Afinal – vamos ser sinceros!- cheiro é cheiro, beijo é gosto, pele é química e eu não vou

saber se te quero porque sua imagem de 480 pixels me deixou de boca aberta. Ah, não

mesmo! Eu quero te provar. Literalmente. Palavra por palavra. Beijo por beijo. Frase por

frase. Ao vivo e a cores. ..." (trechos)


terça-feira, 27 de dezembro de 2011

E eis... Depois... Despedida... Separação...

E eis  
 Clarice Lispector
E eis que em breve nos separaremos
E a verdade espantada é que eu sempre estive só de ti e não sabia
Eu agora sei, eu sou só
Eu e minha liberdade que não sei usar
Mas, eu assumo a minha solidão
Sou só, e tenho que viver uma certa glória íntima e silenciosa
Guardo teu nome em segredo
Preciso de segredos para viver
E eis que depois de uma tarde de quem sou eu
E de acordar a uma hora da madrugada em desespero
Eis que as três horas da madrugada, acordei e me encontrei
Fui ao encontro de mim, calma, alegre, plenitude sem fulminação
Simplesmente eu sou eu, e você é você
É lindo, é vasto, vai durar
Eu não sei muito bem o que vou fazer em seguida
Mas, por enquanto, olha pra mim e me ama
Não, tu olhas pra ti e te amas
É o que está certo
Eu sou antes, eu sou quase, eu sou nunca
E tudo isso ganhei ao deixar de te amar
Escuta! Eu te deixo ser… Deixa-me ser!

Separação
Affonso Romano de Sant´Anna

Desmontar a casa
e o amor. Despregar
os sentimentos das paredes e lençóis.
Recolher as cortinas
após a tempestade
das conversas.
O amor não resistiu

às balas, pragas, flores
e corpos de intermeio.

Empilhar livros, quadros,
discos e remorsos.
Esperar o infernal
juizo final do desamor.
Vizinhos se assustam de manhã
ante os destroços junto à porta:
-pareciam se amar tanto!
Houve um tempo:
uma casa de campo,
fotos em Veneza,
um tempo em que sorridente
o amor aglutinava festas e jantares.
Amou-se um certo modo de despir-se
de pentear-se.
Amou-se um sorriso e um certo
modo de botar a mesa. Amou-se
um certo modo de amar.
No entanto, o amor bate em retirada
com suas roupas amassadas, tropas de insultos
malas desesperadas, soluços embargados.
Faltou amor no amor?
Gastou-se o amor no amor?
Fartou-se o amor?
No quarto dos filhos
outra derrota à vista:
bonecos e brinquedos pendem
numa colagem de afetos natimortos.
O amor ruiu e tem pressa de ir embora
envergonhado.
Erguerá outra casa, o amor?
Escolherá objetos, morará na praia?
Viajará na neve e na neblina?
Tonto, perplexo, sem rumo
um corpo sai porta afora
com pedaços de passado na cabeça
e um impreciso futuro.
No peito o coração pesa
mais que uma mala de chumbo.

DEPOIS  

Marisa Monte

Faixa 03 do Novo CD da Marisa Monte: O Que Você Quer Saber de Verdade.

Depois de sonhar tantos anos,
De fazer tantos planos
De um futuro pra nós
Depois de tantos desenganos,
Nós nos abandonamos como tantos casais
Quero que você seja feliz
Hei de ser feliz também

Depois de varar madrugada
Esperando por nada
De arrastar-me no chão
Em vão
Tu viraste-me as costas
Não me deu as respostas
Que eu preciso escutar
Quero que você seja melhor
Hei de ser melhor também

Nós dois
Já tivemos momentos
Mas passou nosso tempo
Não podemos negar
Foi bom
Nós fizemos histórias
Pra ficar na memória
E nos acompanhar
Quero que você viva sem mim
Eu vou conseguir também

Depois de aceitarmos os fatos
Vou trocar seus retratos pelos de um outro alguém
Meu bem
Vamos ter liberdade
Para amar à vontade
Sem trair mais ninguém
Quero que você seja feliz
Hei de ser feliz também
Depois


DESPEDIDA
MARTHA MEDEIROS


 Existem duas dores de amor: 
A primeira é quando a relação termina e a gente,
seguindo amando, tem que se acostumar com a ausência do outro, 
com a sensação de perda, de rejeição e com a falta de perspectiva,
já que ainda estamos tão embrulhados na dor
que não conseguimos ver luz no fim do túnel.

A segunda dor é quando começamos a vislumbrar a luz no fim do túnel.
A mais dilacerante é a dor física da falta de beijos e abraços,
a dor de virar desimportante para o ser amado.
Mas, quando esta dor passa, começamos um outro ritual de despedida:
a dor de abandonar o amor que sentíamos. 
A dor de esvaziar o coração, de remover a saudade, de ficar livre, 
sem sentimento especial por aquela pessoa. Dói também...

Na verdade, ficamos apegados ao amor tanto quanto à pessoa que o gerou. 
Muitas pessoas reclamam por não conseguir se desprender de alguém.
É que, sem se darem conta, não querem se desprender.
Aquele amor, mesmo não retribuído, tornou-se um souvenir, 
lembrança de uma época bonita que foi vivida...
Passou a ser um bem de valor inestimável, é uma sensação à qual 
a gente se apega. Faz parte de nós. 
Queremos, logicamente, voltar a ser alegres e disponíveis, 
mas para isso é preciso abrir mão de algo que nos foi caro por muito tempo,
que de certa maneira entranhou-se na gente, 
e que só com muito esforço é possível alforriar.

É uma dor mais amena, quase imperceptível. 
Talvez, por isso, costuma durar mais do que a 'dor-de-cotovelo'
propriamente dita. É uma dor que nos confunde. 
Parece ser aquela mesma dor primeira, mas já é outra. A pessoa que nos 
deixou já não nos interessa mais, mas interessa o amor que sentíamos por ela, aquele amor que nos justificava como seres humanos, 
que nos colocava dentro das estatísticas: "Eu amo, logo existo".

Despedir-se de um amor é despedir-se de si mesmo. 
É o arremate de uma história que terminou, 
externamente, sem nossa concordância,
mas que precisa também sair de dentro da gente... 
E só então a gente poderá amar, de novo.


O amor não acaba  
Martha Medeiros
O amor não acaba, nós é que mudamos 

Um homem e uma mulher vivem uma intensa relação de amor, e depois de alguns anos se separam, cada um vai em busca do próprio caminho, saem do raio de visão um do outro. Que fim levou aquele sentimento? O amor realmente acaba? 

O que acaba são algumas de nossas expectativas e desejos, que são subtituídos por outros no decorrer da vida. As pessoas não mudam na sua essência, mas mudam muito de sonhos, mudam de pontos de vista e de necessidades, principalmente de necessidades. O amor costuma ser amoldado à nossa carência de envolvimento afetivo, porém essa carência não é estática, ela se modifica à medida que vamos tendo novas experiências, à medida que vamos aprendendo com as dores, com os remorsos e com nossos erros todos. O amor se mantém o mesmo apenas para aqueles que se mantém os mesmos. 

Se nada muda dentro de você, o amor que você sente, ou que você sofre, também não muda. Amores eternos só existem para dois grupos de pessoas. O primeiro é formado por aqueles que se recusam a experimentar a vida, para aqueles que não querem investigar mais nada sobre si mesmo, estão contentes com o que estabeleceram como verdade numa determinada época e seguem com esta verdade até os 120 anos. O outro grupo é o dos sortudos: aqueles que amam alguém, e mesmo tendo evoluído com o tempo, descobrem que o parceiro também evoluiu, e essa evolução se deu com a mesma intensidade e seguiu na mesma direção. Sendo assim, conseguem renovar o amor, pois a renovação particular de cada um foi tão parecida que não gerou conflito. 

O amor não acaba. O amor apenas sai do centro das nossas atenções. O tempo desenvolve nossas defesas, nos oferece outras possibilidades e a gente avança porque é da natureza humana avançar. Não é o sentimento que se esgota, somos nós que ficamos esgotados de sofrer, ou esgotados de esperar, ou esgotados da mesmice. Paixão termina, amor não. Amor é aquilo que a gente deixa ocupar todos os nossos espaços, enquanto for bem-vindo, e que transferimos para o quartinho dos fundos quando não funciona mais, mas que nunca expulsamos definitivamente de casa.



Dedico esta postagem para uma pessoa querida que sempre fará parte da minha história e da minha memória.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

RELACIONAMENTOS AFETIVOS

Para viver a dois, antes, é necessário  ser um

Enquanto não superarmos
a ânsia do amor sem limites,
não podemos crescer emocionalmente.

Enquanto não atravessarmos a
dor de nossa própria solidão,
continuaremos a nos buscar em outras metades.
Para viver a dois, antes, é necessário ser um.

( este poema é falsamente atribuído a Fernando Pessoa. Não há referência do verdadeiro autor)

Maria Dilma Campo Burkle -Psicanalista
É muito comum que a base dos relacionamentos de casais estabeleça-se sobre uma distorção da realidade, sem que disso se tenha consciência. A demanda que fica é: “Não me sinto inteira (o), sou incompleta (o) enquanto pessoa”, e daí vem uma extrema necessidade de se encontrar a outra metade.
Metaforicamente, sendo metade de algo que nem sei direito o quê ou quem, o senso de identidade e auto-estima fica prejudicado. Disto resulta colocar nessa metade faltante, expectativas e exigências para dela obter a comprovação de que existo e mereço amor, segurança, felicidade, etc.
Este é o cenário no qual verdadeiros dramas acontecem, no palco chamado vida, onde todos atuam seus personagens, uma grande ficção com direção própria, produzida e enviada diretamente do inconsciente.
Às vezes rindo, outras chorando, sendo protagonista ou telespectador da história de Cinderela, adaptada ao século XXI, a situação se repete: “Se me amasse de verdade, faria tudo por mim!”. E assim, as condições são impostas e nem sempre verbalizadas. O outro até deve adivinhá-las, igual mamãe que já sabia e gratificava ou não, todos os meus desejos. Abraços, beijos, elogios, acompanhar-me nos meus interesses, afirmar e reafirmar seu amor o tempo todo.
Supondo que haja amor, sufoca com tamanhas exigências. Passa a ser tremendo encargo sobre os ombros do outro, que também tem suas próprias questões. Também o inverso costuma ocorrer: “Eu o amo, vivo para satisfazê-lo, sem ele não sobrevivo, falta o ar e o chão sobre o qual me apoio, não posso perdê-lo, portanto me anulo pois sou apenas extensão do outro”.
As configurações e interações que a dimensão emocional humana compõem, fornecem o material para infinitas criações imaginárias e, quase sempre, são atuadas em fatos reais. Todos nós reconhecemos esses conflitos. Em proporção variável, somos agentes de prazer e felicidade do outro, ou este outro acaba sendo o nosso objeto de prazer e felicidade. Revendo nossas histórias, compreendemos os porquês.
Compartilhamos a experiência de desamparo e, nesse enredo, existe a dependência de um outro que nos garanta a sobrevivência. Sendo esse outro o representante da falta que é deslocada e reeditada nas vivências emocionais atuais com nosso parceiro, a ele delegamos o papel que foi um dia o da mãe. 

Pobre dele e pobre de nós! 
Crianças brincando de serem adultas, vivendo em um mundo de “faz de conta”.

http://sppsic.wordpress.com/tag/relacionamentos/
junho 22, 2010 às 6:38 pm | Publicado em Artigos | Deixar um comentário
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Esse homem que vai sozinho

Por estas praças, por estas ruas,

Tem consigo um segredo enorme

É um homem



Essa mulher igual às outras

Por estas ruas, por estas praças,

Traz uma surpresa cruel,

É uma mulher



A mulher encontra o homem

Fazem ar de riso, e trocam de mão,

A surpresa e o segredo aumentam.

Violentos.

Mas a sombra do insofrido
Guarda o mistério da escuridão.
A morte ronda com sua foice.
Em verdade, és noite.

MARIO DE ANDRADE
(poeta brasileiro)

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Colcha de Retalhos: um filme muito bem “tecido”

How to Make An American Quilt

Um dos filmes que mais gosto é Colcha de Retalhos (How to Make an American Quilt). Difícil encontrar um filme tão sensível e que retrata tão bem a alma humana, confusa, complexa e nada fixa.
Enquanto elabora sua tese e se prepara para se casar, Finn Dodd (Wynona Ryder), uma jovem mulher, vai morar na casa da sua avó materna (Ellen Burstyn). Ela decide passar esse tempo na casa de sua avó para, assim, poder refletir sobre seus sentimentos. Na casa da avó Finn revive uma experiência já muito conhecida, desde a infância. Lá estão várias amigas da família, que preparam uma elaborada colcha de retalhos como presente de casamento. É tradição por lá que as mulheres teçam colchas de retalho como presente de casamento. E enquanto elas se dedicam a atividade, relembram antigas histórias de relacionamentos amorososos. Neste meio tempo Finn se sente atraída por um desconhecido, criando dúvidas no seu coração que precisam ser esclarecidas.
Tendo as mulheres decidido pela colcha de retalhos como presente de casamento, cada uma, então, se incumbe de bordar seus retalhos para no final juntarem as peças e comporem a colcha. O interessante é que não são retalhos quaisquer, mas quadrados que ilustram a história amorosa de cada uma. A colcha tecida tem como tema “Onde mora o amor?”. As figuras ou desenhos representam a mulher que os compôs. A jovem, provavelmente movida pelo momento conflituoso por que passa, acaba conversando com cada uma delas, onde tem a oportunidade de ouvir relatos vivos sobre essas experiências. Assim, enquanto o trabalho é feito, Finn ouve o relato de paixões e envolvimentos, nem sempre moralmente aprováveis mas repletos de sentimentos, que estas mulheres tiveram. Passamos a conhecer os vários “retalhos” de amor, com a sua beleza, tristeza, decepções e esperanças… Enfim, as versões femininas sobre seus homens e a relação com eles.
How to Make an American Quilt é um filme feminino, onde os homens, claro, são o tema frequente, mas ocupam um papel coadjuvante. A colcha completa, que vai cobrir aquela jovem e seu futuro marido, reúne todas as histórias de amor e representa a feminilidade daquelas mulheres. O filme é um drama romântico sobre o universo feminino, e nos envolve com a vida das costureiras e seus mundos interiores. Cada retalho que compõe a colcha traz uma simbologia. O jardim de rosas amarelas, simbolizando o cenário de um grande amor. O retalho de Sophia Darling é o mesmo do seu vestido que usara no seu primeiro encontro de amor, representando ondas. A esposa traída confecciona em seu retalho os objetos de pintura representando o seu amor, e assim por diante.
O filme é muito bem “tecido”, permitam-me o verbo. É tecido como uma alegoria – a alegoria da colcha de retalhos. No início do filme pode-se observar uma cena que foca o desenrolar de um carretel de linha, fazendo uma comparação entre este procedimento e a vida do ser humano. E o que acontece naqueles diálogos de Finn com aquelas mulheres mais velhas é exatamente isso. Outros símbolos aparecem no filme: a cor vermelha, um poema, os morangos, um corvo… Num ponto clímax do filme um forte vendaval inrompe como uma metáfora das idéias da moça, e do conturbado momento no drama. A cabeça da jovem noiva está confusa principalmente depois da conversa com sua mãe. Finn entra em conflito não sabendo ao certo se realmente quer se casar, pois em toda a sua vida ouviu de sua mãe que o casamento era uma grande bobagem, e que compromissos monogâmicos para toda a vida eram impossíveis de se cumprir. Depois do vendaval tudo ficou mais claro para Finn, e também para as outras mulheres. Colcha de Retalhos é uma alegoria primorosa, rica em detalhes e sutilezas, que você não deve deixar de assistir.

How to Make an American Quilt foi lançado em 1995 nos Estados Unidos. Conta com a excelente direção de Jocelyn Moorhouse, e desempenhos muitos bons de Wynona Ryder, Anne Bancroft, Ellen Burstyn, Kate Nelligan, Alfre Woodard, entre outros. Dedique alguma atenção à excelente trilha sonora organizada por Thomas Newman. Em alguns momentos as músicas escolhidas para o fundo vestem como uma luva; melhor dizendo, encaixam-se na trama como retalhos meticulosamente escolhidos para compor toda a harmonia da colcha das quilteiras.

Escrito por Leandro Avicena
28/07/2010 às 15:30
Publicado em Cinema, Close-up, Mulher
Etiquetado com Jocelyn Moorhouse


A tradição das colchas de patchwork é algo muito bonito na cultura norte-americana. Quando me hospedei em casas norte-americanas me foram oferecidas essas colchas como parte da boa hospitalidade. Conheci uma senhora americana que, por um longo tempo, teceu uma colcha de patchwork utilizando retalhos de roupas marcantes que seus filhos vestiram quando eram crianças. As colchas de patchwork não têm apenas uma função prática (agasalhar), ou decorativa e estética, mas são muito mais uma expressão de arte doméstica ou familiar em que se conta uma história ou se traduz um tema. É como um quadro que cumpre uma função emocional, afetiva. Dentre os amigos que tenho, há uma em especial que sabe tecer o patchwork com grande habilidade, reunindo revistas especializadas norte-americanas, os materiais próprios, as diversas técnicas, etc. O patchwork é uma arte comovente, e como tal exige sensibilidade e esmero. Claro que hoje você pode comprar destas colchas em feiras, ou mesmo industrializadas, mas neste caso o objeto cumpre apenas a sua função prática usual e o seu aspecto decorativo.

A tradução literal de patchwork é "trabalho com retalho". Leio num artigo especializado que o patchwork “e uma técnica que une tecidos com uma infinidade de formatos variados. O patchwork é a parte superior ou topo do trabalho, já o trabalho completo é o acolchoado, formado pelo topo mais a manta acrílica e o tecido fundo, tudo preso por uma técnica conhecida como quilting ou acolchoamento”. A cor é o elemento que mais chama a atenção numa peça de patchwork. O conhecimento da cor é uma boa base para obter ótimos resultados. Saber combinar as cores e os tons e conseguir uma harmonia entre eles, é um grande passo para quem deseja fazer um bom trabalho em patchwork.

Em meados do século XVII, a arte de quiltar chegou às Américas, mais especificamente aos Estados Unidos e Canadá. Trazida pelos colonizadores, era comum ver colchas feitas de linho ou lã, em panos inteiros ou a partir de medalhões centrais e bordas, que permitiam o aproveitamento total de retalhos, já que tecidos eram considerados preciosidade, assim como linhas e agulhas (que eram passadas de mãe para filha). As técnicas eram transmitidas pelas mães e avós para suas descendentes, assim surgiram muitas tradições relacionadas a tecidos, cores e desenhos. Uma tradição de meados de 1800 pedia que a moça fizesse doze colchas antes de poder casar, sendo que a última deveria utilizar os blocos Double Wedding Ring (dois anéis de casamento entrelaçados). No período da Grande Depressão, após a quebra da Bolsa de Valores, isto é, entre 1929 e 1939, as quilteiras aproveitavam todo e qualquer tecido disponível, usando formatos como o Apple Core (miolo de maçã) e os triângulos, que permitiam aproveitamento total dos tecidos.

Escrito por Leandro Avicena
28/07/2010 às 15:30
Publicado em Cinema, Close-up, Mulher
Etiquetado com Jocelyn Moorhouse