"AMA E FAZ O QUE QUISERES. SE CALARES, CALARÁS COM AMOR; SE GRITARES, GRITARÁS COM AMOR; SE CORRIGIRES, CORRIGIRÁS COM AMOR; SE PERDOARES, PERDOARÁS COM AMOR. SE TIVERES O AMOR ENRAIZADO EM TI, NENHUMA COISA SENÃO O AMOR SERÃO OS TEUS FRUTOS."
Santo Agostinho
Anti-heroi para parte do senso comum e para a grande parte da mediocridade política http://www.josesaramago.org José Saramago morreu no dia 18 de Junho de 2010. Nobel da literatura, génio das palavras, mestre do texto. Controverso, comunista, ateu. Um tributo à pessoa que marcou a história da literatura universal, que faz periclitar as bases da História e do senso comum, e que deu um novo sentido ao mundo e ao ser humano. Uma história de vida e uma obra imperdível, uma “viagem de elefante”.
José Saramago morreu no dia 18 de Junho de 2010. Não sabemos se teve ou não um encontro com Deus, no céu, no inferno, ou no “desqualificado purgatório”, mas podemos ter a certeza que ambos precisavam de ajustar contas. Ateu convicto, José Saramago tem Deus como um dos temas-fetiche das suas obras. Era com Ele que gostava de conversar, era sobre as suas representações terrestres que dissertava com uma brilhante clareza interpretativa, muitas vezes recheada de causticidade, atraindo polémicas e excomunhões de muitos lados.
Saramago encontra-se agora, porventura, num, seu e claro, vazio inconsciente. Um vazio que se preenche, como acontece sempre com alguém literariamente famoso que perece, num crescendo de interesse limitado no tempo, como também sempre acontece com o interesse súbito pela obra do perecido que renasce no consciente colectivo, com as vontades de evasão do presente e da realidade quotidiana dos cultos e incautos mortais, com a leitura das suas obras. Agora encontra-se na escuridão da sua própria ausência, presente aos latejantes de vida na significância com que estruturou as letras, as mesmas peças com que jogamos o jogo da vida em verbo, sem, no entanto e inevitavelmente, a perícia da exposição do capital intelectual e a arte da construção literária saramaguiana, ou, talvez, o encontremos um dia a conversar com Blimunda Sete-Luas, num metafísico “Memorial do Convento” (1982), esta agora hiperciente da azáfama e dos interstícios da vida, e d’ “As Intermitências da Morte” (2005).
Apenas vagamente, conhecemos nós Saramago nos seus tempos de juventude. Sobeja um hiato temporal entre a primeira publicação do jovem escritor, bem depois das noites de sono partilhadas na cama com os avós Jerónimo e Josefa e os porcos, numa Azinhaga Ribatejana dos tempos da meia sardinha onde as pessoas eram constantemente “atiradas ao chão” por forças opressoras e esmagadoras, essa Azinhaga que o petrificou em estátua num banco de jardim, e a profícua e epopeica revolução literária, 30 anos depois.
Saramago não foi um académico e não ganhou prémios literários aquando da sua juventude. Saramago não foi sequer unanimemente querido, consensual, ou, como por vezes acontece nas esferas culturais e espectaculares, adulado. Terá inclusive dividido a população portuguesa, este anti-herói para parte do senso comum e para a grande parte da mediocridade política. Saramago não competiu o Prémio Camões, o mais importante prémio literário da língua portuguesa, porque não o deixaram. Os cordéis da manipulação literária e os senhores das marionetas políticas e religiosas não o permitiram. A humanização do mito de Jesus Cristo, n’ “O Evangelho Segundo Jesus Cristo” (1991), foi a desculpa para tentar olvidar o homem que pôs Portugal (no mapa) e Espanha, o iberismo saramaguiano, a navegar pelo oceano, na sua “Jangada de Pedra” (1986). Países à deriva na unificação atracada de uma Europa cada vez mais distante e, paradoxalmente, maior. Portugal é um estado laico. A separação dos poderes entre a igreja e o estado estão, há muito, constitucionalmente definidos e aprovados. A dissecação de Jesus Cristo, o desdobramento do mito, do homem-deus em homem-(demasiado)humano, colocou no parlamento uma inflamada discussão sobre se seria este Saramago um homem suficientemente português para representar uma nação tão histórica e histericamente conectada a um deus (pátria, família) que este homem, português de nascença é certo, não acreditava. Talvez não suficientemente português mas suficientemente reconhecido mundialmente, Saramago arrecadou o Nobel da Literatura em 1998 e, justiça divina, o Prémio Camões em 1995. Não se refugiou no país que não aceitava as suas ideias, vá, os seus romances misto fusional de uma realidade tépida e uma ficção transpirada, como se se tapassem as lacunas de realidades incertas com o vómito de tempos deploráveis. Não se refugiou sequer, nem o degredo psicológico parece ser um motivo. Não hoje. Saramago escolheu na sua ibéria o recanto de memória mais distante dos homens que o rejeitaram, perto daqueles que são “as maiores vítimas do capitalismo ocidental”. O destino foi Lanzarote, a poucos quilómetros da costa africana. Ilha perdida das Canárias, Espanha, inóspita. Um acaso desidratado, um pedaço de terra negra onde escolheu viver e amar. Temos a certeza que se a ibéria se desprendesse do resto da Europa, Lanzarote ficaria no sítio, a ver passar ao largo a sua assustadora alucinação tectónica. Em Lanzarote nasceu uma epidemia contagiosa que colapsa a sociedade, uma cegueira espontânea que viria a revelar o que de mais extremo veste o ser humano – da animalidade à racionalidade, da violação ao amor. Ainda assim, esta penosa experiência para o autor e para o leitor, o “Ensaio Sobre a Cegueira” (1995), é uma “longa tortura” que mostra que nós, humanos, “não somos bons”. Dos mesmos olhos que viveram a visão da escuridão mundial vieram as lágrimas, durante a apresentação da adaptação deste ensaio ao cinema, ao lado do director brasileiro Fernando Meirelles.
"ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA" - RESUMO FILME
De Saramago podemo-nos essencialmente deleitar com cerca de 30 anos de obra, de uma literatura “anti-gramatical”, ou seja, que reduz grande parte da portugalidade, a sua enorme língua e as suas orgulhosas regras gramaticais, a um estilo novo e único, um estilo que transforma o hermético das convenções, da pontuação e dos parágrafos, do senso do tamanho frásico, numa literatura encadeada, numa leitura do pensamento, numa leitura que se lê sem se conseguir parar. Pelo menos até Saramago querer. Desmistifica o mergulho profundo e embrenhado no romance, alertando e antecipando os pensamentos e as dúvidas do leitor, tornando a relação entre ambos mais verdadeira, porém mais dominada. Incorrecta ou elitista, dizem alguns, eis uma forma de desconstruir centenas de anos de convenções e acordos em algumas dezenas de anos de romances, poemas e peças teatrais, contos e crónicas, viagens, diários e memórias e “A Maior Flor do Mundo” (2001), o único título infantil. É a língua algo em constante mutação, não é assim, querido acordo ortográfico? Deve então ser a escrita de Saramago um corte, um raio, uma faísca de mudança nessa transformação, nessa mutação.
Saramago foi, é e será tão importante para a literatura portuguesa e mundial como o foram Fernando Pessoa ou Carlos Drummond de Andrade. Eis o homem que quando fala não mede o comprimento do sentido das palavras, em oposição à medida do comprimento interpretativo da sua escrita. Um homem que “quando se enfurece é simpático”, um autoproclamado “pessimista pela razão, optimista pela vontade”. Saramago diz o que pensa e o pensamento dele ecoa em palavras não polidas, despidas, em construções sólidas da sua verdade. Sem medo. Assume-se como comunista, ponto. Não ortodoxo, ponto. A tudo isto se chama, supomos, liberdade de expressão. Liberdade essa que por entre tantos anos de luta parece ainda periclitar nas certezas de alguns eruditos.
O funeral reuniu muitos simpatizantes, amigos, amantes da sua literatura, curiosos e a natural nata politizada. Notou-se, no entanto, e de alguma forma despreocupadamente (pela irrelevância no caso), a ausência daquele que na altura em que um evangelho incendiou um parlamento era o primeiro-ministro, o actual Presidente da República Portuguesa, o Senhor Professor Doutor Aníbal Cavaco Silva. Politicamente correcto, como sempre e como tem que ser, não se coibiu, com uma expressão entediada e simuladamente entristecida, de ler um comunicado escrito por um seu qualquer assessor. Um escrito banal daquele a quem Saramago chamou “o mestre da banalidade”. Acredito que sentisse uma perda para o país, mas não muito.
José Saramago morreu no dia 18 de Junho de 2010. Saramago não pertence ao céu, para onde voou o fumo da combustão do seu corpo, mas sim à terra, local onde agora repousam as suas cinzas. Se de perto tocar Saramago as estrelas será sentado na “sua” passarola, onde a bordo conta a Blimunda Sete-Luas e a Baltazar Sete-Sóis “O Conto da Ilha Desconhecida” (1997). Foram “Os Poemas Possíveis” (1966) que nos deixou, e todas as letras encadeadas, “Deste Mundo e do Outro” (1971).
Feito o arado que rasga a terra, a passagem do tempo deixa sulcos na alma e no rosto.
“As viagens sucedem-se e acumulam-se como as gerações; Entre o neto que foste e o avô que serás, que pai terás sido?”
A única coisa que nós temos de fato é a vida. E com ela podemos fazer tudo, ou nada.
Pais, filhos e netos.
Buscar uma experiência de significação, trilhar a senda do auto-aperfeiçoamento.
A vida é um instante, um sopro.
Quantas gerações já vieram e se foram,
quantas ainda virão e igualmente passarão…
Há quem sustente que é o amor das mães que mantém o mundo em seu eixo.
Memórias poéticas e afetivas.
Os pequenos gestos e instantes que se vestem de beleza e ternura o tempo.
O ato de observar é a única chave que abre a porta dos mistérios.
A paisagem de fora, a vemos com os olhos de dentro.
A paisagem é um estado de alma.
Na realidade, o que vemos está em nós.
Não vemos o que vemos, vemos o que somos…
“Se podes olhar, vê.
Se podes ver, repara.”
Cultivar a quietude do espírito
como potência de transformação.
Ter um olhar capaz de discernir a beleza invisível.
A filosofia oriental nos ensina que
a mais bela imagem não tem forma.
Resgatar a beleza, a poesia e a espiritualidade
capazes de suavizar a nostalgia do Absoluto.
Cativar a via do Silêncio
dentro de nós.
Esta existência terrena é uma
oportunidade de despertarmos
da letargia e do sono.
Esta existência terrena
é a infância da Eternidade.
Uma oportunidade para nos
aproximarmos da Pura Luz
que habita nossa finitude.
Felizes os que aproveitam
com sabedoria a preciosa
aventura que é o existir.
Feliz o olhar capaz
de discernir a beleza
do invisível...
José Saramago
(texto de
JOSÉ SARAMAGO)
" Que
Humanidade é Esta?"
Se o homem não for capaz de organizar a economia mundial de forma a
satisfazer as necessidades de uma humanidade que está a morrer de fome e de
tudo, que humanidade é esta? Nós, que enchemos a boca com a palavra humanidade,
acho que ainda não chegamos a isso, não somos seres humanos.
Talvez cheguemos um dia a sê-lo, mas não somos, falta-nos mesmo
muito. Temos aí o espetáculo do mundo e é uma coisa arrepiante. Vivemos ao lado
de tudo o que é negativo como se não tivesse qualquer importância, a
banalização do horror, a banalização da violência, da morte, sobretudo se for a
morte dos outros, claro. Tanto nos faz que esteja a morrer gente em Sarajevo, e
também não devemos falar desta cidade, porque o mundo é um imenso Sarajevo. E
enquanto a consciência das pessoas não despertar isto continuará igual. Porque
muito do que se faz, faz-se para nos manter a todos na abulia, na carência de
vontade, para diminuir a nossa capacidade de intervenção cívica.”
Com este vídeo-documentáriopodemos entender como a "crise europeia" foi sendo criada. É longo, mas vale a pena assistir.
Documentário Catastroika em português
publicado em 2 de junho de 2012 às 17:05
por Jair de Souza
O documentário nos mostra em detalhes como se gestou a crise na Grécia. Também nos deixa muito claro que permanece plenamente em vigor a máxima do neoliberalismo econômico, a qual reza que: “Todo lucro deve sagradamente ser apropriado de forma privada, e todos os prejuízos que surjam desse processo de apropriação devem necessariamente ser assumidos pelo conjunto da sociedade”.
Em outras palavras, o neoliberalismo defende a ideologia robinhoodiana com sinal trocado: “Tirar dos pobres para servir aos ricos”.
Creio que você já conhece o documentário grego Catastroika, recentemente lançado ao público pelos mesmos realizadores de outro importante documentário, Dividocracia.
Fiz a adaptação das legendas ao português do Brasil e gostaria de contar com a ajuda do Viomundo para sua divulgação entre nós.
Neste novo documentário, podemos constatar como se originou a política global de privatizações em massa, com a aplicação dos métodos muito bem relatados por Naomi Klein em seu conceituado livro A doutrina do choque.
Podemos ver que, para implementar o propalado modelo de “Estado mínimo”, é preciso usar ao máximo a força do Estado, especialmente forças militares e policiais, para vencer as enormes resistências de grande parte da população. Ou seja, os defensores do “Estado mínimo” apelam para o Estado máximo para impor suas condições a toda a sociedade.
A partir dos postulados do neoliberalismo, entenderemos que o Estado só deverá manter-se afastado na hora da apropriação dos recursos gerados pelo conjunto da nação (para evitar que os mesmos caiam nas mãos erradas da maioria). Estes recursos devem sempre ficar à disposição dos grupos econômicos (especialmente os representantes do capital financeiro) que de fato comandam o Estado. A participação estatal na questão da distribuição da renda só será admitida (e, na verdade, exigida) quando o modelo entrar em crise e gerar situações que ponham em risco os interesses dos grupos econômicos dominantes. Aí, sim, o Estado precisa desempenhar um papel de primeira linha e deve atuar para fazer com que o conjunto da sociedade assuma os custos da crise originada pelas ações especulativas daqueles que vinham se beneficiando do sistema.
"DOIS SÉCULOS DE CONQUISTAS ESTÃO SENDO JOGADOS NO LIXO"
Em entrevista à Televisão da Catalunha, o escritor uruguaio Eduardo Galeano fala sobre as mobilizações que levaram milhares de jovens para as ruas de diversas cidades espanholas nos últimos dias. "Esse é um dos dramas do nosso tempo. Dois séculos de lutas operárias que conquistaram direitos muito importantes para a classe trabalhadora, estão sendo jogados na lata de lixo por governos que obedecem à uma tecnocracia que se julga eleita pelos deuses para governar o mundo. É uma espécie de governo dos governos, como este senhor que agora parece que se dedica a violar camareiras, mas antes violava países e era aplaudido por isso".
Em entrevista ao programa "Singulars", da Televisão da Catalunha (TV3), o escritor uruguaio Eduardo Galeano fala sobre as manifestações dos últimos dias que levaram milhares de jovens para as ruas de diversas cidades espanholas. Galeano esteve em Madri e pode presenciar ao vivo as mobilizações na Porta do Sol. Disponibilizamos abaixo a entrevista concedida ao jornalista Jaume Barberà e destacamos alguns trechos da fala de Galeano:
Untitled from Rebelión on Vimeo.
"Há hoje em quase toda a América Latina um problema visível e preocupante que é o divórcio entre os jovens, as novas gerações, e o sistema político, o sistema de partidos vigente. Eu não reduziria a política à atividade dos partidos, por que ela vai muito mais além, mas isso é preocupante mesmo assim".
"Nas últimas eleições chilenas, por exemplo, 2 milhões de jovens não votaram. E não votaram porque não se deram ao trabalho de fazer o registro eleitoral. Suponho que a maioria não fez o registro por que não acredita nisso. E me parece que isso não é culpa dos jovens. Neste sentido, gostei muito de ter presenciado essas manifestações que tive oportunidade de ver na Porta do Sol".
"Um dos lemas que ouvi era 'com causa e sem casa', o que é muito revelador da situação atual. Muitos daqueles jovens ficaram sem casa e sem trabalho. Isso deve ser levado em conta. Esse é um dos dramas do nosso tempo. Dois séculos de lutas operárias que conquistaram direitos muito importantes para a classe trabalhadora, estão sendo jogados na lata de lixo por governos que obedecem à uma tecnocracia que se julga eleita pelos deuses para governar o mundo".
"É uma espécie de governo dos governos, como este senhor que agora parece que se dedica a violar camareiras, mas antes violava países e era aplaudido por isso. É essa estrutura de poder, muitas vezes invisível, que de fato manda. Por isso, quando se consegue aglutinar vozes capazes de dizer 'basta' a primeira coisa a fazer é ouvi-las com respeito, sem desqualificá-las de antemão e saber esperar. Esses jovens não parecem esperar ordens de ninguém. Agem espontaneamente, aliando razão à emoção. Como vai acabar isso? Não sei. Talvez acabe logo, talvez não. Vamos ver".
"O mundo está preso em um sistema de valores que coloca o êxito acima de todas as virtudes. Ele é uma fonte de virtudes. Em troca, condena o fracasso. Perder é o único pecado para o qual, no mundo de hoje, não há redenção. Estamos condenados a ganhar ou ganhar. Os dois homens mais justos da história da humanidade, Sócrates e Jesus, morreram condenados pela Justiça. Os mais justos foram condenados pela Justiça. E nos deixaram coisas muito importantes como amor e coragem".
Muitos amigos brasileiros estão perguntando para mim sobre a spanishrevolution. O mídia mainstream brasileira publicou pouco e entendeu quase nada. Por isso, vou fazer um exercício muito simples para entender a chamada spanishrevolution. Imagina que uma ministra de Cultura (Ana Buarque do Holanda, por exemplo) aprova uma lei sobre direitos de autor da Internet que despreza licenças como Creative Commons, corta liberdades civis na rede e faz o jogo da indústria audiovisual. Um grupo de ativistas digitais cria uma plataforma navoteneles, pedindo para castigar os partidos que aprovaram a lei (imaginemos aqui, PT, PSDB e PMDB). O grupo, indignado com os casos de corrupção, começa fazer ´wikimapas´ feitos em redes com os candidatos corruptos. Depois, milhares de grupos que lutam por causas diferentes entram na luta pedindo uma “democracia real” mais participativa e transparente e ou tro sistema económico alternativo ao liberalismo. A revolução democraciareal estoura quando a polícia despeja um grupo de pessoas que estavam acampadas na principal praça da capital do país. As redes sociais espalham rapidamente a brazilianrevolution e os cidadãos, altamente conectados, descentralizados e organizados, invadem as praças do país inteiro e discutem, no asfalto e na Rede, uma nova sociedade. A campanha política em andamento para as eleições regionais fica paralisada e o mundo começa olhar para uma nova revolução digital de consequências imprevisíveis. Entendeu agora o que aconteceu na Espanha e as ideias que se espalham pelo mundo? Só falta temperar isso com uma crise econômica (internacional) e a explosão de uma gigantesca bolha imobiliária (espanhola) para completar a equação.
O fácil para a mídia brasileira era falar que o alto desemprego da Espanha (por volta dos 20%) provocou a revolta. É lógico: a crise e o desemprego influenciaram, mas o desemprego não foi o motivo principal, entre outras coisas porque ainda funciona o seguro desemprego. O simples era comparar a spanishrevolution às reviravoltas do mundo árabe. Só tem um ponto em comum, a importância das redes sociais no processo. Na Espanha tem democracia consolidada. As causas da revolta foram outras, várias, muitas. Os objetivos também são diferentes aos do mundo árabe. 92% dos jovens espanhóis usam a Internet, doze pontos por cima do resto da Europa, segundo o próprio Estado. A Espanha lidera também o uso de banda larga nos celulares (19,5% da população, 6,9% na Europa). O “cocktail” se completa com uma elevadíssima porcentagem de jovens formados na universidade: 39% da população espanhola entre 25 e 34 anos tem formação superior, mais que a França ou outros países europeus. E muitos estão desempregados.
Chama minha atenção que a poderosa conta de @wikileaks no Twitter, a reportagem de Preseurop, “A revolta islandesa da Espanha”, reparou na hora que um dos links mais importantes da spanishrevolution vinha do norte, da Islândia, o país que já teve o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) mais elevad o do mundo e que afundou nas tormentas dos mercados. De fato, uma das principais petições da spanishrevolution é exigir do governo que não ajude mais o sistema bancário que provocou a crise internacional. O link islandês-espanhol, à procura de alternativas a um mundo governado pelos mercados e pelas agências de rating é tão claro que Hordur Torfason, o homem que fez o povo islandês reagir contra banqueiros e políticos, gravou um video para parabenizar o povo espanhol.
A juventude espanhola, é claro, admira o que aconteceu nos países árabes. Foi um exemplo para todos nós. Mas a spanisrevolution é diferente. É um passo na frente. É claramente européia. E sem, pretendê-lo, se converteu na revolta digital mais avançada do mundo. Gerou o debate sobre a democracia. E pode ser fundamental para o mundo atingir um Sistema 2.0 verdadeiramente participativo. Um detalhe: a plataforma de ciberativismo Actuable.es, que nasceu no final de 2010, foi vital para evitar que o Governo despejasse a Puerta del Sol de Madri. Em menos de 24 horas, quando a Junta Eleitoral proibiu o protesto, Actuable.es incentivou o envio de mais 150.000 e-mails para o Alfredo Pérez Rubalcaba, ministro do Interior e evitou a repressão policial e um banho de sangue. O suplemento do Estado de São Paulo publicou na passada segunda-feira o melhor trabalho sobre o assunto na imprensa brasileira: Reiniciar o sistema. Esse é o foco. E nem todo o mundo entendeu.
As duas principais forças políticas espanholas, Partido Socialista Operário Espanhol (no poder) e o direitista Partido Popular (PP), depois das eleições regionais do domingo passado, fizeram de conta que nada aconteceu. Se a abstenção (pessoas que não votaram) fosse uma força política, teria sido a grande ganhadora, com 33% dos votos. O Partido Popular, que foi o grande ganhador, só foi votado por 24% do país. Por exemplo em Madri, só 1 em cada 3 votantes deu a sua confiança no Partido Popular, mas governará com maioria. Em Barcelona, o escândalo foi maior. 47% dos votantes ficaram em casa (ou seja, muitos na gigantesca acampada da Plaça de Catalunya, no centro de Barcelona). E Convergència i Unió (CiU), nacionalistas conservadores, vão governar a cidade com 14% dos votos.
A spanishrevolution quer uma lei eleitoral mais justa, mais representativa. Quer uma lei de transparência das contas públicas. Quer criar um espaço para participação constante da política nacional, regional e local. Quer fazer um redesenho profundo da democracia. Mas, por enquanto, ninguém parece ter entendido o recado. E os protestos continuam. E as praças estão ainda cheias de pessoas. E já tem iniciativas como “Madrid toma los barrios” para expandir o debate e participação nos bairros, praças e ruas das cidades.
Existem causas, motivos e condições para uma brazilianrevolution? Os mesmos motivos que lá e muitos outros. O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da Espanha, apesar da crise, ainda é um dos mais elevados do mundo. O Brasil, apesar do crescimento econômico, tem alguns motivos para uma brazilianrevolution: uma nova ministra de Cultura, Ana Buarque de Holanda, que não respeitou a herança de cultura livre do Governo Lula; altos níveis de corrupção (muitos mais que lá); democracia pouco participativa; um rumo econômico focado no macro e não no micro (agronegócio, exportação, grandes obras); sérios problemas ambientais; inflação; uma especulação imobiliária crescente que vai rumo ao da bolha que estourou na Espanha; desigualdade; violência…
Além disso, o Brasil tem um ativismo admirável. Aqui nasceu o Fórum Social Mundial e o orçamento participativo. Aqui cresceu o apoio de governos ao software livre e licenças como o Creative Commons. O Brasil foi e é importantíssimo na luta pela cultura livre e pelos direitos civis na Internet, uma referência internacional. O ciberativismo brasileiro, até agora, era mais forte que o espanhol, que só estourou depois da crise, quando o país inteiro saiu da mordomia da prosperidade. Os brasileiros, graças à Avaaz, conseguiram encaminhar uma lei de "ficha limpa". Brasil é dos países mais ativos em redes sociais e tem a terceira maior penetração de Twitter do mundo (23%).
Não serei eu, estrangeiro, quem vai inventar uma brazilianrevolution, um movimento além das esquerdas e direitas, um movimento que lute pela liberdade, pela transparência e pela democracia 2.0. Isso corresponde ao meu querido povo brasileiro. Mas pense bem: Existem causas, motivos e condições para uma brazilianrevolution? http://www.facebook.com/democraciarealbrasil
Bernardo Gutiérrez é espanhol, jornalista, escritor e consultor de mídia. Mora em São Paulo. Seus trabalhos aparecem em La Vanguardia (Barcelona), Esquire (Madri), Expresso (Lisboa), Tage Spiegel (Berlim) ou National Geographic Brasil, entre muitos outros.
VERDADES E MENTIRAS DO MUNDO ATUAL EDUARDO GALEANO - ITÁLIA 2004
OLÁ, BOA NOITE A TODOS.
PRA COMEÇAR, ESTOU MORALMENTE OBRIGADO A CONTESTAR ALGUMAS INFAMES CALÚNIAS.
(...) ISSO QUE EU SOU
IRÔNICO E SARCÁSTICO, NÃO CORRESPONDE À REALIDADE. EU SIMPLESMENTE CONTO AS
COISAS QUE VEJO, AS COISAS QUE ESCUTO.
POR EXEMPLO, OUTRO DIA ESCUTEI UM COZINHEIRO QUE REUNIU AS
AVES: AS GALINHAS, OS GANSOS, OS PAVÕES, OS FAISÃOS E OS PATOS. E EU ESCUTEI UM
POUCO O QUE O COZINHEIRO DIZIA PARA ELAS. ME PARECEU INTERESSANTE E EU GOSTARIA
DE CONTAR PARA VOCÊS O QUE EU ESCUTEI.
O COZINHEIRO LHES PERGUNTAVA “COM QUE MOLHO ELAS GOSTARIAM
SER COMIDAS”. ... UMA DAS AVES, CREIO EU ERA UMA HUMILDE GALINHA, DISSE “NÓS
NÃO QUEREMOS SER COMIDAS DE MANEIRA NENHUMA”, E O COZINHEIRO ESCLARECEU “ISTO
ESTÁ FORA DE QUESTÃO”.
PARECEU-ME INTERESSANTE ESTA REUNIÃO PORQUE É UMA METÁFORA DO
MUNDO.
DEMOCRACIA
O MUNDO ESTÁ ORGANIZADO DE TAL MANEIRA QUE TEMOS O DIREITO DE
ESCOLHER O MOLHO COM O QUAL SEREMOS COMIDOS... E DIZEM QUE É UM MUNDO
DEMOCRÁTICO, MAS EU ME PERGUNTO ATÉ QUE PONTO É DEMOCRÁTICO UM MUNDO ONDE A
SOBERANIA SE CONVERTEU - A SOBERANIA DOS PAÍSES SE CONVERTEU EM UM OBJETO DE
MUSEU.
POR EXEMPLO - PARA CITAR EXEMPLOS CONCRETOS, QUE ME PARECEM
ÚTEIS APONTAR, O ORGANISMO QUE GOVERNA OS GOVERNOS NO MUNDO DE HOJE, O FUNDO
MONETÁRIO INTERNACIONAL, É DIRIGIDO POR CINCO PAÍSES E DÁ AS ORDENS A QUASE
TODOS OS PAÍSES DO MUNDO - SALVO OS QUE
DÃO AS ORDENS,CLARO, QUE PODEM SER SÁDICOS MAS NÃO MASOQUISTAS.
O BANCO MUNDIAL É MAIS DEMOCRÁTICO, É PRECISO
RECONHECER, E FAZER CONSTAR ESSA GRANDE
DIFERENÇA. O FUNDO MONETÁRIO É DIRIGIDO POR CINCO PAÍSES E O BANCO MUNDIAL POR OITO.
DEPOIS TEMOS A ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DO COMÉRCIO CUJO ESTATUDO
ESTABELECE QUE AS DECISÕES SERÃO TOMADAS POR
VOTO DEMOCRÁTICO; NUNCA SE VOTOU NA ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DO COMÉRCIO. NUNCA!
NEM UMA ÚNICA VEZ. UTILIZA-SE O PRINCÍPIO STALINISTA DA ACLAMAÇÃO. AS SOLUÇÕES
SÃO DECIDIDAS POR ACLAMAÇÃO. O ORGANISMO ANTERIOR QUE SE CHAMAVA GATT VOTOU UMA VEZ. NÃO FOI UMA BOA
EXPERIÊNCIA, NÃO SE REPETIU. NUNCASE
REPETIU.
...ENTÃO, PODEMOS FALAR DE UM MUNDO
DEMOCRATICAMENTE ORGANIZADO, QUANDO O MUNDO DEPENDE DE TRÊS ORGANISMOS NÃO
DEMOCRÁTICOS QUE TOMAM AS DECISÕES NO LUGAR DA HUMANIDADE?
GUERRAS (ISSO É ATUALÍSSIMO)!
PODERÍAMOS, TAMBÉM, SE DER TEMPO, QUERO SER BREVE, FALAR DO
CONSELHO DE SEGURANÇA DAS NAÇÕES UNIDAS...
(...) PARECE QUE HOJE, AS GUERRAS ESTÃO BEM (SÃO LEGÍTIMAS)
QUANDO AS NAÇÕES UNIDAS AS APROVAM, E ESTÃO MAL (SÃO ILEGÍTIMAS) QUANDO AS
NAÇÕES UNIDAS AS DESAPROVAM.
MAS QUEM PROMOVE ESTA “BENÇÃO”? QUEM PROMOVE ESTA
BENÇÃO?!....
A NAÇÕES UNIDAS ESTÁ
FORMADA POR UMA ASSEMBLÉIA GERAL. AÍ ESTÃO TODOS OS PAÍSES, TODAS AS VOZES,
INCLUSIVE A DESTE SENHOR QUE TAMBÉM QUER PARTICIPAR. TODAS AS VOZES!... MAS, É
SIMBÓLICA. A ASSEMBLÉIA GERAL É SIMBÓLICA. FORMULA RECOMENDAÇÕES, NÃO TOMA
DECISÕES.
AS DECISÕES SÃO TOMADAS PELO CONSELHO DE SEGURANÇA, E O
CONSELHO DE SEGURANÇA ESTÁ COM... ONDE MANDAM, COM OS CINCO PAÍSES QUE TÊM O DIREITO DE VETO E O DIREITO DE VETO É O
QUE DEVERAS DECIDE... ELES VELAM PELA
PAZ MUNDIAL!
VELAM PELA PAZ MUNDIAL, MAS SÃO TAMBÉM, OS CINCO PRINCIPAIS
FABRICANTES E VENDEDORES DE ARMAS NO MUNDO...
ESTADOS UNIDOS, INGLATERRA, FRANÇA, RUSSIA E CHINA. OS CINCO PRINCIPAIS FABRICANTES
DE ARMAS NO MUNDO SÃO OS ENCARREGADOS DA NOSSA PAZ.
E ASSIM NÓS VAMOS... CLARO,FAZEM O NEGÓCIO DA GUERRA, MAS VENDEM A PAZ
TAMBÉM.
MÍDIA
ONDE? COMO?
ATRAVÉS, SOBRETUDO, DOS GRANDES MEIOS DE COMUNICAÇÃO, QUE
REPRODUZEM O SISTEMA DE PODER NO MUNDO E QUE AVALIAM A DEMOCRACIA DE CADA PAÍS.
SÃO GRANDES MEIOS DE COMUNICAÇÃO QUE CONFUNDEM A LIBERDADE DE
EXPRESSÃO COM A LIBERDADE DE PRESSÃO E QUE TÊM SIDO DEFINIDOS, COM MUITA
MAESTRIA, POR ALGUM ANÔNIMO QUE ESCREVEU EM UM MURO “MIJAM EM NÓS E OS JORNAIS
DIZEM QUE É CHUVA”.
O CASO MAIS CLARO, MAIS ESCANDALOSO DE MANIPULAÇÃO DA OPINIÃO
PÚBLICA MUNDIAL É, ATUALMENTE, O CASO DA VENEZUELA.
VENEZUELA
NO TEATRO, NO GRANDE TEATRO DO BEM E DO MAL HÁ UMA
DISTRIBUIÇÃO DE FUNÇÕES ENTRE OS ANJOS E
OS DEMÔNIOS, E HUGO CHAVES É UM DOS
PRINCIPAIS DEMÔNIOS.
É UM DITADOR DO
PONTO DE VISTA DA FÁBRICA DE OPINIÃO PÚBLICA MUNDIAL...
É UM DITADOR, UM
ESTRANHO DITADOR QUE, NO ENTANTO, GANHOU OITO ELEIÇÕES EM CINCO ANOS E AGORA,
RECENTEMENTE NO REFERENDO, FOI O PRIMEIRO PRESIDENTE ELEITO NA HISTÓRIA DA
HUMANIDADE QUE COLOCOU O SEU CARGO À DISPOSIÇÃO DAS PESSOAS E GANHOU DE 6 A 4
– 60% CONTRA 40%...
EM UMA ELEIÇÃO QUE EU ASSISTI COMO OBSERVADOR E POSSO DAR
TESTEMUNHO DE QUE FORAM ELEIÇÕES TRANSPARENTES ONDE,PELA PRIMEIRA VEZ, SE
CONSEGUIU EVITAR QUE OS MORTOS VOTASSEM, PORQUE NA VENEZUELA TINHAM O MAU HÁBITO DE VOTAR.
E TAMBÉM SE CONSEGUIU EVITAR QUE UMA PESSOA VOTASSE VÁRIAS
VEZES POR CAUSA DO MAL DE PARKINSON - MUITA GENTE COLOCAVA VÁRIOS VOTOS NAS
URNAS... A MESMA PESSOA.
ENTÃO A VENEZUELA É UM PAÍS ESTRANHO ONDE ACONTECE ISSO E,
AO MESMO TEMPO, SE ASSISTE ÀS DENÚNCIAS PELA FALTA DE LIBERDADE DE EXPRESSÃO.
ALGUÉM LIGA A TELEVISÃO E NA TELA DA TELEVISÃO HÁ UM SENHOR QUE DIZ “AQUI NÃO
HÁ LIBERDADE DE EXPRESSÃO!”. LIGA-SE O RÁDIO E HÁ UMA VOZ QUE CLAMA “AQUI NÃO HÁ
LIBERDADE DE EXPRESSÃO!”. E ABRE-SE UM JORNAL E HÁ UM TÍTULO ENORME QUE DIZ
“AQUI NÃO HÁ LIBERDADE DE EXPRESSÃO!".
HOUVE APENAS UM MEIO DE COMUNICAÇÃO FECHADO NA VENEZUELA NOS
ÚLTIMOS CINCO ANOS, O CANAL 8 DE TELEVISÃO. MAS NÃO FOI FECHADO POR CHÁVEZ E
SIM POR ESTES DEMOCRATAS QUE TOMARAM O PODER ATRAVÉS DE UM GOLPE DE ESTADO, DURANTE 48 HORAS,E NESTAS 48 HORAS FECHARAM TUDO, FECHARAM A ASSEMBLÉIA GERAL,
ANULARAM A CONSTITUIÇÃO, OU SEJA, ESTRANHA DITADURA! E ESTRANHOS DEMOCRATAS!
EU CREIO QUE HAJA AÍ
UMA UM DIVÓRCIO EXEMPLAR ENTRE A REALIDADE REAL E REALIDADE
VIRTUAL QUE OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO MOSTRAM COMO ÚNICA REALIDADE POSSÍVEL.
E QUAL É A IMPLICAÇÃO DISSO? DE FORMA SIMPLES LHES CONTO QUE
NA VENEZUELA HAVIA CINCO MILHÕES DE PESSOAS SEM DIREITOS CIVÍS PORQUE NÃO
TINHAM DOCUMENTOS, E OS FILHOS NÃO PODIAM IR À ESCOLA PORQUE NÃO TINHAM
CERTIDÃO DE NASCIMENTO! ISTO É O QUE CHÁVEZ ESTÁ MUDANDO, PORQUE EM PLENO
PARAÍSO PETROLÍFERO, O QUE SE CHAMA DE VENEZUELA
SAUDITA, HAVIA UMA MILHÃO E MEIO DE ANALFABETOS QUE AGORA ESTÃO SE
ALFABETIZANDO, E ISTO EXPLICA A FÚRIA DOS GRANDES,DOS CHAMADOS MEIOS DE
COMUNICAÇÃO, QUE INCOMUNICAM AS PESSOAS, OU SEJA, MEIOS DE COMUNICAÇÃO
INCOMUNICANTES.
TAMBÉM EXPLICAM OS RESULTADOS DESTAS ELEIÇÕES E DE ELEIÇÕES ANTERIORES,
PORQUE HÁ UM POVO QUE RESUME SUA ATITUDE DE MANEIRA PERFEITA ATRAVÉS DE UMA
FRASE,DITA POR UM VENEZUELANO POBRE QUE FOI ENTREVISTADO RECENTEMENTE, E QUE
É MAIS EXPRESSIVA DO QUE QUALQUER DISCURSO! ELE DISSE:
“EU NÃO QUERO QUE
CHAVEZ VÁ EMBORA PORQUE NÃO QUERO
VOLTAR A SER INVISÍVEL.”