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segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Palavra [En] Cantada... documentário brasileiro


PALAVRA [EN] CANTADA:
 Um Filme de Helena Solberg

Em um país com forte cultura oral como o Brasil, a música popular pode ser a grande ponte para a poesia e a literatura. A reflexão sobre esse tema é o ponto de partida do novo filme de Helena Solberg. 


Palavra (En)cantada tem a sua narrativa construída na costura de depoimentos, performances musicais e bela trilha sonora.


É um documentário que faz uma viagem na história do cancioneiro brasileiro com um olhar para a relação entre poesia e música, costurando depoimentos de grandes nomes da nossa cultura, performances musicais e surpreendente pesquisa de imagens. 

"Palavra encantada" conta com a participação de Adriana Calcanhotto, Antônio Cícero, Arnaldo Antunes, BNegão, Chico Buarque, Ferréz, Jorge Mautner, José Celso Martinez Correa, José Miguel Wisnik, Lirinha (Cordel do Fogo Encantado), Lenine, Luiz Tatit, Maria Bethânia, Martinho da Vila, Paulo César Pinheiro, Tom Zé e Zélia Duncan. Imagens de arquivo resgatam momentos sublimes de Dorival Caymmi, Caetano Veloso e Tom Jobim.


A poesia é a maior das artes, sendo capaz de tangenciar todas as outras e mantendo, ainda assim, suas próprias normas, formas e sons. Existe sozinha, dispensa acompanhamentos. O documentário Palavra Encantada faz a poesia dançar pela voz de grandes músicos e poetas brasileiros e nos faz descobrir que nenhum conceito por essas terras consegue ser tão simples.

Adocumentario brasil musica poesia

ADRIANA CALCANHOTO
Para alguns estudiosos e observadores da literatura, a poesia se caracteriza por uma criação artística que existe sozinha: tem suas regras, suas formas, seus sons próprios e estes a fazem plena unicamente em si, podendo dispensar acompanhamentos. É comum que numa roda, reunindo esses mesmos estudiosos e observadores da literatura, lá pelas tantas, pelo quarto copo de vinho, alguém declare a sentença: Chico Buarque, por exemplo, não é poeta, é músico. A partir daí a conversa, antes consenso, vai virar uma discussão sem fim e depois de meses, dois ou três daqueles amantes das letras ainda estarão se odiando mortalmente. Fatalmente vão produzir alguns tratados que não nos tocarão em nada.
Palavra [En]cantada é um filme que ronda o mistério das palavras ditas e entoadas sem chegar perto desse tipo de debate onde um bom e velho veneno da vaidade academicista sempre mata um pouco mais a gente. Dirigido por Helena Solberg, com argumento de Marcio Debellian, o documentário segue uma reflexão a respeito dos momentos em que música brasileira e poesia convergiram.


Através do depoimento de grandes nomes da música nacional, Sodenberg nos leva a fogo brando pela história e escolas da música brasileira; dos morros cariocas à periferia de São Paulo, passando pela Bahia e pelo mangue pernambucano. O documentário parte da idílica existência dos trovadores, aqueles artistas medievais que inventaram a poesia musicada e a espalharam de tal forma que são considerados o marco zero da literatura como hoje a conhecemos. A partir daí nomes como Tom Zé, Lenine, Maria Betânia, Martinho da Vila, Lirinha do Cordel do Fogo Encantado, BNegão e o próprio Chico Buarque, vão falar sobre a presença da poesia em suas canções e dão versões sobre o porque e do como esses encontros acontecem.
documentario brasil musica poesia

CHICO BUARQUE DE HOLANDA
O filme traz ainda imagens de arquivo recuperadas, algumas nunca vistas, como as de carnavais na Avenida Presidente Vargas, no Rio de Janeiro e encenações de Morte e Vida Severina pelo grupo de teatro da PUC (o primeiro a montar a peça, em 1965), além de raridades como a entrevista de Caetano Veloso, falando sobre porque combinou na sua música Coca-Cola e Brigite Bardot, e apresentações de repentistas do Nordeste em meados do século passado.

Na junção de todos os seus segundos e coisas ditas, Palavra [En]cantada nos faz descobrir muito mais sobre música, poesia e brasilidade do que muitos foram capazes de fazer. A contribuição é enorme: enfrentar a particularidade do caso nacional, onde a palavra escrita não conseguiu até hoje criar raízes fortes e onde a literatura só pôde se expandir através da oralidade - o que nos torna indivisíveis da maior parte da África - e abre um novo leque de possibilidades para entendermos a absurda riqueza de formas e sons da nossa língua e da nossa música. Solberg e Debellian pariram um filme essencial para quem ainda acredita que a beleza salvará o mundo.

documentario brasil musica poesia
TOM ZÉ



documentario brasil musica poesia
MARIA BETANIA



























publicado em cinema por priscilla santos
http://obviousmag.org/archives/2009/04/palavra_encantada_um_filme_de_helena_sodenberg.html#ixzz1Z6kH6atd



Palavra Encantada - Lançamento do DVD





Palavra (En)cantada | Tropicália





Palavra (En)cantada | Bossa nova




sábado, 23 de julho de 2011

Polaróides Urbanas....


POLARÓIDES URBANAS - DVDRIP 2008



Download Torrent 


Sinopse: Uma jovem em conflito com a mãe, uma terapeuta incapaz de resolver seus problemas, uma dona de casa de classe média que não consegue mais sonhar, uma atriz consagrada cuja carreira está em decadência e uma mulher que, sem querer, foi escolhida como mãe da filha de sua patroa. A vida destas mulheres, e seus respectivos maridos, namorados e amigos, se cruzam no Rio de Janeiro.
Elenco:
Marília Pêra
Arlete Salles
Natália do Valle
Neusa Borges
Marcos Caruso
Otávio Augusto
Ana Roberta Gualda
Juliana Baroni
Stella Miranda
Alexandre Slavieiro
Nicolas Trevijano
Ficha Técnica
Título Original: Polaróides Urbanas
Gênero: Comédia
Ano de Lançamento (Basil): 2008
Site Oficial: www.filmes.net/polaroidesurbanas
Estúdio: LC Barreto & Filmes do Equador / Miravista / Globo Filmes
Distribuição: Buena Vista International
Direção: Miguel Falabella
Roteiro: Miguel Falabella, baseado na peça teatral "Como Encher um Biquini Selvagem", de sua autoria
Produção: Paula Barreto e Bruno Barreto
Música: Guto Graça Mello
Fotografia: Gustavo Hadba
Desenho de Produção: Cláudio Amaral Peixoto
Direção de Arte: Cláudio Amaral Peixoto
Figurino: Marcelo Pies
Edição: Diana Vasconcellos


Sinopse II: Comédia de costumes repleta de situações,personagens que fazem parte do cotidiano de uma dona de casa entediada, sua irmã gemea deslumbrada, uma psicanalista que nao sabe ser mãe. Adaptaçao da peça "como encher um biquíni selvagem" de Miguel Falabella, também autor do roteiro deste filme sua grande estreia numa direção cinematográfica

Magali (Marília Pêra), dona de casa de classe média, cansada da vidinha pobre de sentidos que leva e tentando buscar novos sonhos, está entuasiasmada para ir assistir pela primeira vez uma peça de teatro. Mas qual não é sua surpresa quando a atriz principal, Lise (Arlete Salles), interrompe o espetáculo e assume que tem  síndrome do pânico de se expor em público. As duas já se conhecem do consultório da psicanalista Paula (Natália Do Valle), que não se encontrou ainda em alguns de seus papéis, inclusive o de mãe, pois não dá muita atenção a sua filha Melanie (Ana Roberta Gualda) que está passando por um período conturbado e não pode nem contar com a ajuda da amiga Vanessa (Juliana Baroni). Melanie consegue auxílio com Dulce (Stella Miranda), uma atendente do centro de auxílio aos depressivos e Crioula (Neusa Borges), a emprega da casa que,é na prática a sua "mãe". Vanessa (Juliana Baroni) que vive em seu mundinho de ilusões, tendo perdido a capacidade de sonhar e de amar, passa pela vida de homens, os debocha. Alguns desses homens são apaixonados por ela, entre eles o filho de Magali (Alexandre Slavieiro) que vive no mundo da fantasia e um stripper (Nicolas Trevijano) que vive num mundo tirano. Entres essas histórias que vão se cruzando e outros tantos personagens interessantes, uns engraçados, outros ignorantes, surgem e formam retratos de pessoas e suas relações com o outro, com elas mesmas, com a vida, em uma grande metrópole.

Trailer - Polaróides Urbana






Nicolas Trevijano Filme Polaróides Urbanas 


quarta-feira, 8 de junho de 2011

Trabalhar cansa...




18/05/2011
Longa brasileiro aborda as influências das relações de trabalho no convívio familiar
O filme “Trabalhar Cansa” foi exibido no Festival de Cannes deste ano. Em entrevista, os diretores Juliana Rojas e Marco Dutra contam que o objetivo da película é mostrar “como as relações de trabalho afetam todas as outras relações pessoais e familiares”
Por Paula Salati
“Trabalhar Cansa” é o título do único longa-metragem brasileiro selecionado para o Festival de Cannes deste ano, que está em sua 64ª edição. Dirigido por Juliana Rojas e Marco Dutra, o filme já teve exibição no evento que iniciou dia 11 de maio e segue até o dia 22, quando haverá as premiações.

Os diretores Juliana e Marco sempre trabalharam com temas relacionados ao universo familiar. Juliana conta que, desde o início, a idéia era abordar a forma “como as relações de trabalho afetam todas as outras relações pessoais e familiares” e “o tipo de competição e dificuldade enfrentada por quem trabalha nas metrópoles”.

O filme, vivenciado na cidade de São Paulo, conta a história da dona-de-casa Helena (interpretada pela atriz Helena Albergaria do grupo teatral Companhia do Latão) que resolve realizar um antigo sonho de ter seu próprio negócio, abrindo um mini-mercado. Para isso, ela contrata a empregada Paula para tomar conta de sua filha, Vanessa, de oito anos. Ao mesmo tempo, seu marido Otávio perde o emprego de gerente em uma grande corporação na qual trabalhou por quase 10 anos.

De dona-de-casa, Helena se transforma em patroa. Otávio, que sempre esteve acostumado a ser chefe de família, passa a depender financeiramente da esposa. A partir daí, a família desenvolve uma série de conflitos por conta das inversões nas relações de trabalho e pessoais, sob um pano de fundo de suspense e horror.

O clima de horror também é um estilo dos autores: “Quando começamos a fazer nossos curtas, pensávamos em fazer filmes de horror. Aos poucos fomos vendo que muita gente não via nossos filmes como filmes de horror porque eles não usavam todos os recursos do gênero, todas as convenções. Nos nossos filmes, nós tentamos entender o que a história tem de assustadora em si mesma e explorar esse aspecto - e não apenas aplicar no filme as convenções do gênero. O resultado acaba sendo um gênero híbrido, difícil de identificar plenamente”, explica Juliana.

O título “Trabalhar Cansa” vem do poema Lavorare Stanca, de Cesare Pavese, que não estabelece uma relação direta com o filme, mas cujo tom melancólico se aproxima da história. Juliana e Marco são produtores também dos curtas As Sombras, O Lençol Branco e Um Ramo, sendo que esses dois últimos também foram exibidos no Festival de Cannes.

Os diretores brasileiros tem mais projetos pela frente, um deles se chama “Cidade;Campo”, filme que contará duas histórias paralelas que se passam no ambiente urbano e rural.

Em Cannes, o filme foi eleito para competir aos prêmios da mostra Um Certo Olhar (Un Certain Regard) e também pelo Caméra d’Or, reservado aos diretores estreantes em longa. O resultado deve sair ao final do festival, no dia 22.

LEIA TAMBÉM:
CONFIRA O TRAILER DE TRABALHAR CANSA:
 
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TRABALHAR CANSA
CLASSIFICAÇÃO: Para PensarDramaBrasil - 30/09/2011
DIREÇÃO e ROTEIRO: Marco Dutra e Juliana Rojas
ELENCO: Helena Albergaria, Marat Decartes, Naloana Lima, Gilda Nomacce, Marina Flores, Lilian Blanc
Brasil, 2011 (99 min)
Será que Helena faz o papel dela mesma? Fiquei com a impressão que sim, não só por causa do mesmo nome, mas pela simplicidade do personagem enquanto representação da classe média. Helena (Helena Albergaria na vida real) faz o papel dessa dona de casa que se cansa, não só do trabalho que dá o novo mercadinho, mas da empreitada da vida.
Trabalhar Cansa é interessante por isso – junta elementos reais e surreais para tratar da dura luta do dia-a-dia. Os reais são representados pela família de Helena. Na pele de uma dona de casa, a gente percebe o seu envolvimento com nova ideia de ajudar nas despesas da casa abrindo um pequeno mercado, seu entusiasmo com o novo ritmo de vida, a dura realidade de ter de lidar com os funcionários, de ter de abrir mão do tempo com a família, de não ter retorno financeiro, até cair na exaustão total e completa. Dentro desse panorama, que vai crescendo no descontrole e na ansiedade, seu marido Otávio (Marat Decartes) perde o emprego. Mais uma dificuldade para lidar com a frustração, o nervosismo, a falta de dinheiro e principalmente a falta de perspectiva num mercado de trabalho cruel e implacável para quem já tem mais de 40 anos e precisa se recolocar.
Já os elementos surreais são introduzidos no decorrer da narrativa, apontando a falta de controle que temos das coisas práticas e a impossibilidade de compreender tudo. Alguns mistérios cercam a vida de Helena e o trabalho de tocar a vida em frente vai sugando todas as energias. Algumas metáforas são bem colocadas, principalmente quando sair do eixo emocional significa colocar a sanidade, a estabilidade, a razão a perder.
Para completar esse quadro os diretores Marco Dutra e Juliana Rojas inserem a figura da empregada doméstica, numa crítica ao comportamento da classe média, às mazelas do emprego informal e à desigualdade social. Trabalhar esse dinâmica também cansa do lado de cá da tela e me pareceu que era essa a intenção dos diretores. Talvez tenha sido esse o argumento para selecionar o filme para ser exibido na categoria Um Certo Olhar, em Cannes, este ano. Trabalhar Cansatem um outro olhar a partir de uma tema conhecido nosso de cada dia. Mesmo que esse olhar seja o do estranhamento diante do cheiro ruim, do esgoto transbordando, das paredes úmidas, dos latidos dos cachorros. Um olhar cansado… Mas alguém por acaso disse que seria fácil?